segunda-feira, 22 de junho de 2026

Feroz Elegância


Nos seus pés que o mundo intercalam, 
cria-se cenários onde os olhos se calam,
expressão viva do domínio que se fez perfeitamente moldado e rendido. 

Sua altivez e leveza me fazem flutuar.

Há em você uma postura que o tempo respeita,
Uma solenidade pura, uma linha perfeita.

Mas não é feita apenas de mansa calmaria,
Seu mistério guarda uma doce e feroz energia.

Há presteza e atenção no seu jeito de ser,
Uma elegância que ataca e me faz render.
Seu amor me captura com golpe preciso e veloz.

São seus beijos que calam minha própria voz.
Rapidez e precisão no seu modo de amar,
Que me prende no seu peito e me impede de respirar.

Permanece assim distante de qualquer simulação,
Você é verdade esculpida na minha paixão.
Uma silhueta clara, talhada no meu pensamento,
Poema que resiste a qualquer vento.

Distinta, solene, 
Para sempre nossos corações perdidos.

Marcello Lopes

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O Traço do Belo


Escrevo meus versos em seus pés para que eles saibam onde me encontrar.

Caminho através dos sonhos que crio ao seu lado, sigo linhas e frases desenhadas em seu corpo:
poemas e passos, flores e rimas.

O mundo perde o sentido quando me encontro fora do delírio do seu corpo,
mas meu coração brilha, calmo, quando minhas mãos se entregam a você, rendido.

Esqueço o cansaço e a rotina ao mergulhar fundo nos seus olhos,
onde encontro roteiros de um amor sem fim.

Escrevo meus versos em sua pele macia;
sua voz me arrepia e seu toque desenha em mim o carinho que vira poesia.

Marcello Lopes 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Transparências e incandescências

 

Transformo meu desejo em arte no seu corpo, componho poemas para descrever a textura da seu corpo, a incandescência dos seus seios em minha boca.

Converto sua pele no meu mapa de prazer, suas marcas me guiam e alucinam. 

Enxergo através das suas mãos que me desgovernam, seus dedos me fazem ver o que se oculta por baixo da sua pele, criando assim uma peculiar compulsão erótica. 

Exalto a sua incandescência.  

Uma sucessão de experiências sensoriais onde nós dois nos entregamos loucamente, dois corpos que se confiam mutuamente. 

Beijo sua boca insistentemente, voltando ao início, retorno ao sinais impressos em seu corpo nu. 

Há poetas que passam toda a vida sem experimentar essa experiência. 

Não ouso chamar de paixão o que sinto por você, arte é a palavra mais inconscientemente acurada quando me vejo desenhando mapas mentais do seu corpo nas linhas desse livro.

Não tenho intenção de confundir sentimentos, sabemos que essa harmonia é uma apologia à sedução e poesia.

Essa sua risada juvenil, o sorriso que me propicia força para escrever essas linhas tão ambíguas. 

Sua pele sintetiza tudo que pra mim é perfeito e belo. 

Assumo meu papel de desbravador que permanece estranhamente perdido todas às vezes que cede à sua boca. 

Marcello Lopes - 27/5/2026

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Carta para meu poeta - parte 1


Meu poeta, recebi sua carta.

Suas palavras são repletas de cumplicidade, de expressões que, ao serem lidas, fazem-me sentir abraçada. Sinto-me amada, mesmo que você nunca tenha me tocado. E há diferença entre um beijo e um poema?

Leio e releio suas palavras sorrindo a cada revelação, balbuciando desajeitadamente os seus versos.

Estou sentada na varanda ouvindo a chuva, celebrando em silêncio sua presença em minha vida; apesar de estarmos fisicamente separados, não passa um dia sem que eu encontre algo que lembre você.

Uma música, uma cor.
Jazz, Van Gogh.

Escrevo agora o que você significa para mim; mesmo sem dominar a mesma linguagem, minhas palavras carregam o sentido e o sentimento que guardo dentro do peito.

O prazer de te oferecer mais do que meu corpo: a minha alma desnuda. Simples, até mesmo um tanto antiga, que suporta essa paixão platônica desenhando na pele sua utopia.

Seus planos — ah, loucos planos!

Mãos dadas, uma fogueira, tentativa vã de, com as mãos, proteger seus sonhos da realidade. Transcender o limite físico imposto pelas vias distintas da vida: um salto e estamos juntos.
Mas estou divagando, meu poeta. 

Torno-me ambígua a cada dia longe do seu amor; o choque da realidade me faz recuar, enquanto suas palavras me fazem persistir.

Você, como poeta, fala sobre seu amor, orgulhoso de pertencer (a mim?). Sua resposta à minha existência é pausa entre as rimas, orgasmo e exaustão, movimento incessante e pausa.

Os dias passam obscuros e longos, revelando que a rotina preenchida por aquilo que hoje chamo de frivolidades era uma nuvem imprevista e imperceptível, que mantinha meus olhos longe do que realmente importa.

Tudo em você grita paixão!

Marcello Lopes 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Euforia


Cheia de tanta inspiração
pedaços de poesia, 
entusiasmos banhados de beijos.

Como um descobridor em uma terra nova, 
corajoso em aproximar o sentimento da realidade
ninguém sabe o que escorre desses versos.

Volúpia, mística do ventre grave
nunca cantou tão refinada canção.

Firmo essas palavras
com intenção, magia e memória.

Em seus pés escrevo rimas 
que consagram o encanto que eles produzem.

Harmonizam-se seus dedos em meus lábios
fascinante formato;
mistério provocado. 

No meu ofício, transformo a imagem em palavras
exacerbadas, surpreendentes.

Acolho seus pés em minhas mãos
já deixaram de ser imagens 
domino seu poder encantatório;

De joelhos me aproximo,
converto meu fetiche em felicidade. 

Marcello Lopes

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Saudade

Minha saudade ficou ali no canto escuro da sala acumulando poeira, sem reagir. 

Silenciosa, só se mexe quando lembro de algo repousando no barulho da minha emoção, leve sacudida de lembranças das nossas conversas.

A saudade vigia o tempo todo, quando sonho e quando durmo.

Mas essa saudade aos poucos está morrendo, diminuindo todos os dias, desvanecendo meus maiores temores.

Meu amor se move lentamente quando estamos longe, mas ele é preciso e se fortalece com o tempo.

A saudade é estranha, inveja o amor porque seu processo é lento, contínuo, e flui indiferente ao silêncio que a distância nos impõe.

Tenho sorte de experimentar seu amor, a alegria que ele me proporciona só não é maior que a apoteose de beleza e infindáveis prazeres que seu corpo me proporciona

As lembranças do nosso romance fervem, 

nosso desejo abre a imaginação revelando nossa ambição. 

Minha vida deságua nos seus pés como as letras musicais surgindo em um concerto, perfeitamente sincronizados.

A saudade murcha lentamente, se arrasta pelas frestas ameaçando se tornar presente.

Você me faz viver intensamente a distância já não protege mais a saudade nem o tempo que nos perseguia, implacável com a felicidade.

Nada como o retorno da pessoa amada, a suspensão da saudade em absoluto, a paixão se renovando a cada dia.

Ahh saudade, até quando?

Marcello Lopes

segunda-feira, 4 de maio de 2026

22


Saímos vasculhando as estantes escolhendo títulos aleatórios, sorrindo com nomes impressos nas lombadas empoeiradas. 

Você me para e pergunta sorrindo o quanto eu lia em meio às estantes intermináveis? 

Respondi sem pensar que lia na mesma intensidade com que a amava, ensandecidamente.

Meu exagero recebeu como resposta uma risada e uma torrente de gracejos. 

Era nosso primeiro encontro depois de meses de inumeráveis conversas e telefonemas. 

Amar você é apreciar as marcas deixadas pelo seu olhar no meu rosto;

Nos tornamos inseparáveis, uma comunhão íntima de pensamentos, desejos e sorrisos.

Desde o primeiro dia você me surpreendeu, a sua curiosidade, aquela vontade de tomar o mundo de um gole só. 

Sou forçado a voltar à realidade quando você me provoca por detrás das estantes com o seu sorriso.

Caminhamos pelos corredores ouvindo o som das páginas sendo viradas nas mesas, o cheiro do livro impregna nosso olfato, as estantes criam ao nosso redor um campo invisível de magia e mistério. 

Recito um poema de Rilke e recebo uma lágrima que você disfarça cheia de segredos. 

Tenho a impressão de que se te abraçar posso, de fato, conter todo o seu espírito em meus braços.

Marcello Lopes

segunda-feira, 27 de abril de 2026

18

Seu corpo eu conheço de cor, escrevo poemas na sua pele (conhecida e tão feliz).

Sorrio quando desponta em minha cama,
alegre, nua e efêmera.

Bela e frágil porque há doçura em teus suspiros;
nasço no meio do seu corpo, meu céu, minha paisagem;

Perco-me em seus seios que tanto persegui;
estremecendo a memória de quem nos tornamos;

Procuro minha alma em seu corpo;
celebrando a forma como o seu aroma me vicia.

Seu corpo não tem nome, nem muito menos tempo,
está perdido entre as estrelas;
só sendo encontrado com a febre
e a emoção que tão ardente paixão provoca.

Se eu te chamar será que me responderás?

Pois sou apenas uma sombra caminhando ao seu redor.
seu corpo tem aroma de jardins de malva;
com seus perfumes brancos e vermelhos.

Um retrato claro, límpido do meu desejo;
ocupa-se da simetria do seu corpo.

Seu corpo é o poema onde as rimas;
brincam os versos ousam;
e nossas pernas se entrelaçam;

A inspiração se resume no que as minhas mãos mapeiam;
papel ocioso conserva em suas linhas;
os sentidos mesclados de sonhos e sabedoria.

Seu jeito calmo me acolhe;
entre ternuras, seus braços.

Seu corpo caminha entre alamedas,
ruas sem tristeza, nem mágoa.

Na sua ausência peço tua volta,
quando transborda em mim solidão,
trevas e o esquecimento.

Seu ventre é enseada a espera da minha onda,
que vai e vem alegrando seus quadris.

Quero anunciar seu nome aos quatro ventos,
ao mundo que não conhece seu corpo.

Deixei o silêncio e a dor para penetrar em suas praias líricas,
que equilibram seu corpo como alucinação.

Roço meu rosto em teus pés;
eles conhecem cada estremecimento do meu desejo,
minhas mãos em suas coxas, sorvendo cada momento.

Seus olhos iluminam meu espírito
desnudando meu maior segredo,
arruma meu corpo em sua cama na febril surpresa
que dispensa palavras e se alimenta de gestos olhares e arrepios.

O corpo que é meu sossego;
paisagem da minha vida, 

De todas as minhas paixões, seu corpo é soberano!

Suas mãos secam levemente minhas lágrimas,
me envolve cantando sobre o brilho tênue de cada estrela,
sem perturbar a sua claridade.

Pinto em seu corpo uma tela repleta de flores e arabescos luminosos
percorrendo suas linhas,
descobrindo a sorte que oculta cada dedo.

Seu corpo toma o luar para se banhar de orvalho,
sussurrando em sua linguagem silenciosa.

O sorriso é alegria que não tive,
mas que recebo da sua presença.

Sendo assim, me entrego ao prazer do seu corpo tateando a superfície,
sentindo a respiração ofegante,
sorvendo gemidos,
me surpreendendo pelo fascínio que nos envolve.

Suas pernas me levam à gruta dos búzios;
um mar de espuma, bolhas e ondulações.

Suas curvas deslizam em águas dóceis,
fazendo meu corpo latejar, amando desesperadamente.

Quanto tempo se passou entre o sonho e a realidade?

Momentos de pleno prazer que desfaz as horas,
cessa o instante turbulento, cala-se a voz;
paralisa-se as mãos,
domina-se o imprevisível cativando meu ser profundamente.

Suave e feminina seu ar de mulher,
olhar de menina.

seu corpo é abrigo onde me protejo,
me escondo me inspiro e te amo.

Marcello Lopes 18/04/2009

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Das metamorfoses

Das metamorfoses

guardo lembranças dos momentos felizes.
O resto são objetos perdidos.
Feliz como quem encontra um paraíso há muito tempo perdido.
Sua aparição, um poema.
Uma aventura no parque,
breve interlúdio para uma nova história.
Entre as enormes ruínas do passado, sentamos felizes.
Andando entre os caminhos que nós mesmos construímos, fazemos planos. 
O vento que ensurdece ao mesmo tempo harmoniza o passeio

Lembro das palavras não ditas, o silêncio que atrapalha, as paixões malsucedidas. 
Os pequenos tropeços da vida.
Sem desespero como crianças brincando na escola, você me estende a mão dizendo:
- Vem, são velhas recordações.


Marcello Lopes


segunda-feira, 20 de abril de 2026

17

Com o tempo mudo verso, a curva, o arco, o declive, a maneira de enumerar as paisagens. 

Imagino as palavras que se repetem na saída dos cinemas atravessando os nevoeiros das noites de inverno.

Imagino estas ruas que ficam desertas com o crepúsculo, os campos de batalha, os recados e bilhetes de amor que nunca foram entregues, os caminhos que levam da madrugada até o coração da morte.

Poesia fácil, prosa que vem da melancolia e não da aritmética sentimental das palavras;

Esculturas de sangue, grito, quase ancestrais. 

Mais um sopro nos pinhais, movimenta os destroços de um amor de toda a vida.

Me desengano acerca da poesia, da elevação, da circunstância, falo apenas como os antigos da aventura de um solitário entre ruínas, levantando as pedras, reerguendo muros.

Recordo o vento nas árvores, o musgo entre os carvalhos, o rio dobrando-se numa curva onde não há fim.

Marcello Lopes

domingo, 19 de abril de 2026


Seu sorriso vem acompanhado de vários adjetivos,
meus sonhos tem seu rosto;
minhas exclamações, sua voz.

Ainda lembro da nossa primeira vez juntos,
um som familiar nos envolvia;
a flor deixada de lado:
o café aconchegante que nos suportava;

Entre tantos na multidão fomos fisgados
pela ironia de sabermos o que não queremos;
a sua elegância contrastando com ambiente humilde;

Um quadro de sonhos e versos se forma quando a vejo;
meu tempo sobrecarrega minhas palavras;
o tudo e o nada se esquivam;

Obsessivamente observo suas maneiras,
criando uma aura de encanto e hipnotismo.

O tempo ganha uma aura de sonho quando dos seus lábios
se derrama poemas de Neruda;
que me surpreendo elegendo aqui e ali
as sensações mais emblemáticas.

Das minhas mãos transformo em palavras o que esse momento singular significa;
sua pele se arrepia e compartilhamos um olhar;
arrebato meu desejo com beijos em suas mãos;
escandalizamos o lugar com nossos risos.

Hoje vivemos entre arte, versos e literatura;
nos alimentamos de beijos, sexo e vinho;
no seu corpo meus braços;
na minha paixão, sua razão.

Nada escapa de nós enquanto estamos juntos,
um olhar, um conto efêmero;

Fiz do seu amor a minha vida, minha domadora de palavras;

Quero livros, seres essenciais no nosso universo; onde seus pensamentos se transformam em seres misteriosos que dominam nossas noites;
Construímos aos poucos, entre suores e orgasmos,
textos e versos cuja paternidade silenciam imersos em seus lábios.

Marcello Lopes

sábado, 18 de abril de 2026

Musa


Adoro seu jeito simples de viver,

quero ver seus lábios sorrindo
enlouquecida a mente,
sentir suas pernas trêmulas
depois do gozo
as mãos em sonho retrocedendo fantasias

À meia-luz arranco seu vestido 
acomodo as partes que se gostam
deitando, amando 
banhando um corpo que não se demora, devora! 

Não vou amenizar, assumo meu amor
quero te carregar seu corpo,
sua mente é nossa dança.

Nos seus pés trilho minha via de loucura, paixão e tesão.

Um dia você desiste de correr e se entrega pra mim,
sem desenganos, sorrindo e cantando
o amor mais lindo que já existiu.

Tenho razão em ser feliz porque eu te amo
quero te dar paz, estrelas que enfeitiçam o mar
centelhas que o coração deseja.

Vi dentro do seu olhar a luz que sempre buscava
em plena madrugada,
seus cabelos soltos brilhando ao ser amada.

Como não me apaixonar?
Senti na sua pele o calor que enlouquece,
o encaixe perfeito que não esmorece.

É por esse amor que estou aqui,
pra descobrir quem somos,
e pra nunca mais te ver partir... 

Afogo-me em seus seios,
sacio meu desejo no seu ventre
deixando seus cabelos em desalinho;

Pouso no seu corpo e me abandono no mundo dos seus braços;
adormecendo no seu colo.

Deixei-me seduzir e minha vida invadir;
lancei meu destino em seu coração.

Forrei sua cama com meus poemas,
sua chama apaguei com orgasmos
pra que nunca duvide dos meus desejos.

Marcello Lopes - 25/03/26

quinta-feira, 16 de abril de 2026

19


Busco o rastro do que não se apaga no açoite dos dias,
o ferro que enferruja com a dignidade dos vencidos.

Não quero a rima lapidada, o brilho falso das vitrines,
mas a aspereza da terra que guarda o segredo das raízes.

Somos este intervalo entre o adeus e o esquecimento,
um resto de luz que ainda teima em morder a sombra.

Nas mãos, carrego o peso de cidades que nunca ergui,
e nos olhos, o reflexo de barcos que partiram sem porto.

Amo o que é lento: o crescer do líquen, o cansaço das pedras,
a paciência das águas que desenham o abismo com doçura.

Se o mundo é líquido e nos foge entre os dedos cansados,
faço da minha memória o cântaro que retém, por um instante, 
o gosto de um tempo que não soube ser breve.

Ergo o muro novamente, não para isolar o peito,
mas para ter onde encostar a alma quando o vento for demais.

O amor, enfim, é esse modo de habitar o desmoronamento
com a calma de quem sabe que o pó também é eterno.

Marcello Lopes

segunda-feira, 13 de abril de 2026

28

Pequenas chamas impelidas pelos seus beijos queimam a minha epiderme, através dos seus toques velozes revelam a sua extraordinária capacidade de criar beleza.

No seu corpo explode um incêndio das cores que contrastam com suas coxas suadas transfigurando um universo inteiro.

Nossos corpos mergulham em acordes insólitos, variações cinza e azuis.

Sua voz é de inconcebível afinação que transforma qualquer sonho possível;
sem mudanças, com prazer, com graça, muito sexo, com escolha, com a profundidade das cores,

Muito sexo porque nossa intimidade é importante, escolha porque somos livres para amarmos quem quisermos.

Com profundidade porque nosso amor é real, as cores são muitas, do seu rosto, do seu corpo,
em minha vida a liberdade de sermos sempre felizes não importa a situação da nossa vida,
porque somos dois em um.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

25

Querida, te espero no portão todas as manhãs, preenchendo o tempo com as nossas canções.

Te recordo todas as noites, desenhando meus poemas, permanecendo em silêncio.

Querida, sua falta dói em meu corpo, o sorriso, os pés que me inundavam de felicidade se ausentam.

Eu aqui, nessa cidade inundada e você naquele Belo Horizonte;

São nossos silêncios que calam mais alto em meu peito.

Querida, sou uma alma que procura um poema que possa ser escrito em suas costas, na agonia da paixão e nos vãos dos nossos gemidos.

Te desejo enxergando em seus olhos as estrelas perdidas, descobrindo novos mundos, abrindo fronteiras e escalando precipícios.

Marcello Lopes

terça-feira, 7 de abril de 2026

Cartas


Recebi sua carta com nostalgia dos nossos instantes.

A vida me suga, remoendo meus ossos.

Foram as suas palavras que me acalmaram e ajudaram a ressignificar minha vida.

Saber que meus versos te desnudavam a alma e que hoje eles a amparam nos momentos tristes me faz ter esperanças. 

Naquela época um verso anunciava emoções e vertigens, me deixava apaixonar por cada rima, por cada esperança pontilhada de poesia. 

Suas mãos tomando as minhas, delicadamente, sem pressa e conduzia-me para um recanto de pura alucinação. 

Hoje escrevi de novo pra você, sentado aqui na grande cidade onde o movimento afeta os sentidos, meu ouvidos chegam a zumbir diante da cacofonia de sons, lamentos e de ausências. 

Antes mesmo de abrir a sua correspondência minhas pernas tremiam, excitadas pela curiosidade.

Perambulava pela casa lendo, esculpindo na memória o seu atrevimento.

Como cada letra era capaz de me descrever tão apaixonadamente? 

As linhas escritas mapeavam meu corpo, minha alma e a emoção escorria dos olhos. 

O coração descompassado, a conjunção que insiste em oprimir a minha solidão. 

Marcello Lopes

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Nossa casa

Vivemos nós dois, sozinhos, felizes, extasiados com o silêncio que nossa vida revela. 

A casa pulsa intensamente com nossos corpos, meus poemas, suas texturas e cores.

Somos parte de uma categoria sublime, a de amantes dos valores cunhados em honra e fidelidade; 

Sou parte remendada do tudo e todas as experiências vividas até hoje, de desejos e ilusões de uma vida.

Nossa vida sempre foi assim, amando, sofrendo docemente como convém ao que são intensos. 

O fogo na sua alma queima por amor, algumas vezes chora, outras dança.

Sou poeta e você a minha melhor poesia, seus pés estão em minhas mãos, provo minha força diante das labaredas que nossos amores acendem. 

Amanhece e o sol sempre mostrando a que veio, na ausência de uma rosa, um raio ilumina nosso quarto, minha boca e o silêncio machucado desse lugar nos preenche.

A casa que ecoa as idas e vindas dos nossos beijos, é cheia de aconchegos e impregnada da nossa verdade e de paixão.

Somos apaixonados juntando sentimentos coloridos como quem colhe lírios pela manhã. 

Minha vida inteira foi uma eterna espera até você chegar com seus sonhos e esperanças, a poesia se formou, desalinhada e expressa com novas palavras para um mundo novo. 

Nossa casa tem impressas em suas paredes as palavras, imagens e formas do nosso cotidiano.

Você me fascina em proporções ilimitadas pelos caminhos e pela coreografia iluminada do seu corpo pela manhã. 

Nossa casa tem a sua cor, os seus traços, meus versos.

Marcello Lopes

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Entre corpos entrelaçados;

há tantos perdidos por aí;

somos sonhos.

Nasci para ser instante,

pra ser grito na sua boca.

Marcello Lopes

sexta-feira, 27 de março de 2026

Lugar do amor

Qual é o lugar do amor nesse mundo de ritmo tão acelerado?

Esse sentimento que ressoa no meu (no seu) corpo exige dedicação e reflexão, porque o amor não deve ser mero passatempo mas resgate da temporalidade própria do ser humano, diferente do sentimento compulsivo que hoje se vincula na necessidade de efemeridade da vida. 

Qual é o lugar do afeto em um tempo ausente de fruir as lembranças?

Nomear a paixão, reconhecer ser amado e amar porque o amor acende as luzes do caminho a ser seguido. 

Nós partimos de diferentes direções mas com um único objetivo, a consumação desse sentimento na pele, na alma. 

Quando enxergo através dos seus olhos nesse tempo de telas frias percebo o que lhe tira o sono, entendo a vulnerabilidade do seu bem querer e o quanto me dói não poder te abraçar e dizer que tudo vai ficar bem. 

Qual o lugar do seu amor em nosso tempo? 

Coleciono imagens, fantasias e delírios que são o reflexo dessa paixão platônica que queima a pele sem doer no peito. 

Deslizo os dedos sobre a sua foto, imaginando se um dia teria chance de tocá-lo, carinhosamente, com afeto e sem pressa.

Abro os olhos para viver essa experiência!

Me pergunto que esse meu amor pode fazer brilhar seus olhos, se esse sorriso se abre quando você lembra das minhas tênues palavras. 

Qual é a vontade que aquece o coração? 

Aquele brilho que aparece quando uma notificação ilumina o quarto ao amanhecer, o barulho que o coração faz ao chegar perto demais de alguém.

As mãos que transmutam o medo em energia, que entrelaçam e acariciam, são essas mãos que anseio beijar enquanto durar o encantamento das minhas palavras. 

Tenho raízes não âncoras, me desfaço e refaço a cada dia, você me surpreende todos os dias. 

Conduzo meus poemas embaralhados pela emoção, pelo tesão, pela importância que o amor tem em minha vida. 

Assim, o diálogo que estabeleço destaca todo o meu carinho e o poder da sua beleza, que encanta, desafia e desequilibra. 

O amor é profundo ou só chapinhamos no raso? 

Os versos são reflexo do que me vem na alma, minhas imperfeições não são vistas, nem muito menos sentidas, as palavras que uso são para brilhar sob a luz dos seus olhos. 

Sacio minha sede da sua boca nesse oceano de poesias e ilusões.

Será que a sua alma clama ser amada nessa intensidade?

O amor resiste mesmo na esterilidade da modernidade.

Desejo estar ao seu lado, mesmo que seja em silêncio, sem necessidade de palavras porque os olhos já dizem tudo.

Onde o som perde o sentido para que o essencial seja percebido e assim, existirmos na presença sincera um do outro.

O amor conserta uma multidão de pecados;

É a beleza desse sentimento que não envelhece, nem enruga.

Que se refaz a cada sorriso sincero, a cada lembrança amorosa. 

Marcello Lopes 
27/03/26

sexta-feira, 20 de março de 2026

Quando o amor chegar

 O amor acontece diante de nós. 

É possível que ele te espante, que você ache exagerado.

Mas o amor é repleto de intensidades despropositadas, de alegrias e de efêmeros arrepios. 

Lá está o amor!

Surgindo delirante, como se a luz que brilha dele fosse sempre e pra sempre nossa.

Vivemos dias de paixão, rimos do ridículo porque se pensa em coisas ridículas quando ele nos preenche. 

A tentação de fazer comparações é um exercício inútil, cada amor é uma proclamação de alegria diferente da outra. 

Temos a tola presunção de comparar mas o que realmente importa é como esse amor ocupa-nos de sensibilidades. 

Cada amor traça seu caminho, identifica e ama qualidades diferentes em cada ciclo, fascina os méritos, vivendo seu cotidiano colorido. 

Quando o amor acontece diante de nós, imprevisto, se alimentando de afetos, cuidados e sorrisos. 

Então, quando o amor chegar, deite-se, respire fundo e aceite essa emoção inesperada, brilhante e calorosa.

Amor é um sentimento que nos impossibilita de seguirmos sozinhos por muito tempo, é o estímulo constante que o divino nos presenteia simplesmente porque somos humanos.

Essa vivência que nos amarra ao amado, mas paradoxalmente liberta ternuras, branduras. 

Quando o amor acontecer... 

Marcello Lopes 20/03/26




quarta-feira, 18 de março de 2026


É na minha jornada de descobrir seus gostos, cheiros que inadvertidamente me apaixono. 

Privilégio é criar poemas que assim como a sua presença me enlouquecem, são os seus pés que criam os caminhos por onde te persigo na urgência de te eternizar com versos, meus beijos e a ardente experiência de tocar sua pele.

A fragilidade das minhas palavras que são capazes de ruir com a sua emoção, criam condições de dispersar o desejo de iluminar seus seios em meio às minhas contradições de poeta. 

O mistério das suas formas é revelado nos versos imaginados, limitados ao alcance das mãos.

Não nego meu amor, consumido pelas fantasias que insisto em criar nessa folha, inspirado pelas suas curvas, fotos e palavras soltas.

Seu rosto ganha contornos angelicais quando meus versos emergem na sua pele, subindo pelas pernas, impondo sentimentos, sensações e gozos. 

O sentimento incessante de júbilo torna sua presença em minha vida como uma prece atendida. 

Incorporo rimas, fragmentos de palavras como se fossem discursos exploratórios que passeiam pelo seu corpo causando diferentes sensações.

Reconheço na névoa que me cerca a sua energia poderosa, são seus pelos que friccionam em meu rosto a paixão, o louco desejo.

Sorriu distraída com as letras em movimento ao ouvir uma pergunta:

Por que não nós? 

Marcello Lopes

18/03/2026

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Cartas

Tenho suas cartas em minhas mãos, carregadas de memórias, ecos e promessas.

Poderia rasgar meus olhos por odiar a ausência do seu toque no meu corpo.

Como uma luz que se apagou, provocando febre, invento línguas para apagar seus poemas.

Os nossos risos, sons e a sua harmonia tudo está sendo esquecido no caminho.

Já fui chama que incendiava miríades de imagens rodopiando em corações e que faziam tremer pernas monótonas.

Nas linhas escritas vejo os sinais do infinito que se acabaram e me pergunto se nosso romance prometia mais do que podia cumprir?

Meus joelhos no chão ecoam ainda as vozes dos que caem com o suor dos aflitos.

Suas juras de amor hoje estão perdidas nas vertigens da alma e abismos dos poemas.

Tenho suas cartas escritas em rimas perdidas entre a razão e a renúncia.

Quais palavras são de amor?

Nossas carícias transformaram-se em crimes, e as promessas em fúrias e tentações. 

Essas breves epifanias do amor, meras cumplicidades numa mesa de café,

Quantas perdas e danos sofremos entre o medo e a esperança ?

Somos colhidos pelo tempo em plena queda quando as boas promessas já não se cumprem.

Somos a multidão dos que ainda acreditam no amor, mas que já caminham condenados
ao tropel dos crentes, cegos ao movimento da manhã.

Marcello Lopes

Feroz Elegância

Nos seus pés que o mundo intercalam,  cria-se cenários onde os olhos se calam, expressão viva do domínio que se fez perfeitamente moldado e ...