segunda-feira, 22 de junho de 2026

Feroz Elegância


Nos seus pés que o mundo intercalam, 
cria-se cenários onde os olhos se calam,
expressão viva do domínio que se fez perfeitamente moldado e rendido. 

Sua altivez e leveza me fazem flutuar.

Há em você uma postura que o tempo respeita,
Uma solenidade pura, uma linha perfeita.

Mas não é feita apenas de mansa calmaria,
Seu mistério guarda uma doce e feroz energia.

Há presteza e atenção no seu jeito de ser,
Uma elegância que ataca e me faz render.
Seu amor me captura com golpe preciso e veloz.

São seus beijos que calam minha própria voz.
Rapidez e precisão no seu modo de amar,
Que me prende no seu peito e me impede de respirar.

Permanece assim distante de qualquer simulação,
Você é verdade esculpida na minha paixão.
Uma silhueta clara, talhada no meu pensamento,
Poema que resiste a qualquer vento.

Distinta, solene, 
Para sempre nossos corações perdidos.

Marcello Lopes

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O Traço do Belo


Escrevo meus versos em seus pés para que eles saibam onde me encontrar.

Caminho através dos sonhos que crio ao seu lado, sigo linhas e frases desenhadas em seu corpo:
poemas e passos, flores e rimas.

O mundo perde o sentido quando me encontro fora do delírio do seu corpo,
mas meu coração brilha, calmo, quando minhas mãos se entregam a você, rendido.

Esqueço o cansaço e a rotina ao mergulhar fundo nos seus olhos,
onde encontro roteiros de um amor sem fim.

Escrevo meus versos em sua pele macia;
sua voz me arrepia e seu toque desenha em mim o carinho que vira poesia.

Marcello Lopes 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Transparências e incandescências

 

Transformo meu desejo em arte no seu corpo, componho poemas para descrever a textura da seu corpo, a incandescência dos seus seios em minha boca.

Converto sua pele no meu mapa de prazer, suas marcas me guiam e alucinam. 

Enxergo através das suas mãos que me desgovernam, seus dedos me fazem ver o que se oculta por baixo da sua pele, criando assim uma peculiar compulsão erótica. 

Exalto a sua incandescência.  

Uma sucessão de experiências sensoriais onde nós dois nos entregamos loucamente, dois corpos que se confiam mutuamente. 

Beijo sua boca insistentemente, voltando ao início, retorno ao sinais impressos em seu corpo nu. 

Há poetas que passam toda a vida sem experimentar essa experiência. 

Não ouso chamar de paixão o que sinto por você, arte é a palavra mais inconscientemente acurada quando me vejo desenhando mapas mentais do seu corpo nas linhas desse livro.

Não tenho intenção de confundir sentimentos, sabemos que essa harmonia é uma apologia à sedução e poesia.

Essa sua risada juvenil, o sorriso que me propicia força para escrever essas linhas tão ambíguas. 

Sua pele sintetiza tudo que pra mim é perfeito e belo. 

Assumo meu papel de desbravador que permanece estranhamente perdido todas às vezes que cede à sua boca. 

Marcello Lopes - 27/5/2026

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Carta para meu poeta - parte 1


Meu poeta, recebi sua carta.

Suas palavras são repletas de cumplicidade, de expressões que, ao serem lidas, fazem-me sentir abraçada. Sinto-me amada, mesmo que você nunca tenha me tocado. E há diferença entre um beijo e um poema?

Leio e releio suas palavras sorrindo a cada revelação, balbuciando desajeitadamente os seus versos.

Estou sentada na varanda ouvindo a chuva, celebrando em silêncio sua presença em minha vida; apesar de estarmos fisicamente separados, não passa um dia sem que eu encontre algo que lembre você.

Uma música, uma cor.
Jazz, Van Gogh.

Escrevo agora o que você significa para mim; mesmo sem dominar a mesma linguagem, minhas palavras carregam o sentido e o sentimento que guardo dentro do peito.

O prazer de te oferecer mais do que meu corpo: a minha alma desnuda. Simples, até mesmo um tanto antiga, que suporta essa paixão platônica desenhando na pele sua utopia.

Seus planos — ah, loucos planos!

Mãos dadas, uma fogueira, tentativa vã de, com as mãos, proteger seus sonhos da realidade. Transcender o limite físico imposto pelas vias distintas da vida: um salto e estamos juntos.
Mas estou divagando, meu poeta. 

Torno-me ambígua a cada dia longe do seu amor; o choque da realidade me faz recuar, enquanto suas palavras me fazem persistir.

Você, como poeta, fala sobre seu amor, orgulhoso de pertencer (a mim?). Sua resposta à minha existência é pausa entre as rimas, orgasmo e exaustão, movimento incessante e pausa.

Os dias passam obscuros e longos, revelando que a rotina preenchida por aquilo que hoje chamo de frivolidades era uma nuvem imprevista e imperceptível, que mantinha meus olhos longe do que realmente importa.

Tudo em você grita paixão!

Marcello Lopes 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Euforia


Cheia de tanta inspiração
pedaços de poesia, 
entusiasmos banhados de beijos.

Como um descobridor em uma terra nova, 
corajoso em aproximar o sentimento da realidade
ninguém sabe o que escorre desses versos.

Volúpia, mística do ventre grave
nunca cantou tão refinada canção.

Firmo essas palavras
com intenção, magia e memória.

Em seus pés escrevo rimas 
que consagram o encanto que eles produzem.

Harmonizam-se seus dedos em meus lábios
fascinante formato;
mistério provocado. 

No meu ofício, transformo a imagem em palavras
exacerbadas, surpreendentes.

Acolho seus pés em minhas mãos
já deixaram de ser imagens 
domino seu poder encantatório;

De joelhos me aproximo,
converto meu fetiche em felicidade. 

Marcello Lopes

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Saudade

Minha saudade ficou ali no canto escuro da sala acumulando poeira, sem reagir. 

Silenciosa, só se mexe quando lembro de algo repousando no barulho da minha emoção, leve sacudida de lembranças das nossas conversas.

A saudade vigia o tempo todo, quando sonho e quando durmo.

Mas essa saudade aos poucos está morrendo, diminuindo todos os dias, desvanecendo meus maiores temores.

Meu amor se move lentamente quando estamos longe, mas ele é preciso e se fortalece com o tempo.

A saudade é estranha, inveja o amor porque seu processo é lento, contínuo, e flui indiferente ao silêncio que a distância nos impõe.

Tenho sorte de experimentar seu amor, a alegria que ele me proporciona só não é maior que a apoteose de beleza e infindáveis prazeres que seu corpo me proporciona

As lembranças do nosso romance fervem, 

nosso desejo abre a imaginação revelando nossa ambição. 

Minha vida deságua nos seus pés como as letras musicais surgindo em um concerto, perfeitamente sincronizados.

A saudade murcha lentamente, se arrasta pelas frestas ameaçando se tornar presente.

Você me faz viver intensamente a distância já não protege mais a saudade nem o tempo que nos perseguia, implacável com a felicidade.

Nada como o retorno da pessoa amada, a suspensão da saudade em absoluto, a paixão se renovando a cada dia.

Ahh saudade, até quando?

Marcello Lopes

segunda-feira, 4 de maio de 2026

22


Saímos vasculhando as estantes escolhendo títulos aleatórios, sorrindo com nomes impressos nas lombadas empoeiradas. 

Você me para e pergunta sorrindo o quanto eu lia em meio às estantes intermináveis? 

Respondi sem pensar que lia na mesma intensidade com que a amava, ensandecidamente.

Meu exagero recebeu como resposta uma risada e uma torrente de gracejos. 

Era nosso primeiro encontro depois de meses de inumeráveis conversas e telefonemas. 

Amar você é apreciar as marcas deixadas pelo seu olhar no meu rosto;

Nos tornamos inseparáveis, uma comunhão íntima de pensamentos, desejos e sorrisos.

Desde o primeiro dia você me surpreendeu, a sua curiosidade, aquela vontade de tomar o mundo de um gole só. 

Sou forçado a voltar à realidade quando você me provoca por detrás das estantes com o seu sorriso.

Caminhamos pelos corredores ouvindo o som das páginas sendo viradas nas mesas, o cheiro do livro impregna nosso olfato, as estantes criam ao nosso redor um campo invisível de magia e mistério. 

Recito um poema de Rilke e recebo uma lágrima que você disfarça cheia de segredos. 

Tenho a impressão de que se te abraçar posso, de fato, conter todo o seu espírito em meus braços.

Marcello Lopes

Feroz Elegância

Nos seus pés que o mundo intercalam,  cria-se cenários onde os olhos se calam, expressão viva do domínio que se fez perfeitamente moldado e ...