segunda-feira, 27 de abril de 2026

18

Seu corpo eu conheço de cor, escrevo poemas na sua pele (conhecida e tão feliz).

Sorrio quando desponta em minha cama,
alegre, nua e efêmera.

Bela e frágil porque há doçura em teus suspiros;
nasço no meio do seu corpo, meu céu, minha paisagem;

Perco-me em seus seios que tanto persegui;
estremecendo a memória de quem nos tornamos;

Procuro minha alma em seu corpo;
celebrando a forma como o seu aroma me vicia.

Seu corpo não tem nome, nem muito menos tempo,
está perdido entre as estrelas;
só sendo encontrado com a febre
e a emoção que tão ardente paixão provoca.

Se eu te chamar será que me responderás?

Pois sou apenas uma sombra caminhando ao seu redor.
seu corpo tem aroma de jardins de malva;
com seus perfumes brancos e vermelhos.

Um retrato claro, límpido do meu desejo;
ocupa-se da simetria do seu corpo.

Seu corpo é o poema onde as rimas;
brincam os versos ousam;
e nossas pernas se entrelaçam;

A inspiração se resume no que as minhas mãos mapeiam;
papel ocioso conserva em suas linhas;
os sentidos mesclados de sonhos e sabedoria.

Seu jeito calmo me acolhe;
entre ternuras, seus braços.

Seu corpo caminha entre alamedas,
ruas sem tristeza, nem mágoa.

Na sua ausência peço tua volta,
quando transborda em mim solidão,
trevas e o esquecimento.

Seu ventre é enseada a espera da minha onda,
que vai e vem alegrando seus quadris.

Quero anunciar seu nome aos quatro ventos,
ao mundo que não conhece seu corpo.

Deixei o silêncio e a dor para penetrar em suas praias líricas,
que equilibram seu corpo como alucinação.

Roço meu rosto em teus pés;
eles conhecem cada estremecimento do meu desejo,
minhas mãos em suas coxas, sorvendo cada momento.

Seus olhos iluminam meu espírito
desnudando meu maior segredo,
arruma meu corpo em sua cama na febril surpresa
que dispensa palavras e se alimenta de gestos olhares e arrepios.

O corpo que é meu sossego;
paisagem da minha vida, 

De todas as minhas paixões, seu corpo é soberano!

Suas mãos secam levemente minhas lágrimas,
me envolve cantando sobre o brilho tênue de cada estrela,
sem perturbar a sua claridade.

Pinto em seu corpo uma tela repleta de flores e arabescos luminosos
percorrendo suas linhas,
descobrindo a sorte que oculta cada dedo.

Seu corpo toma o luar para se banhar de orvalho,
sussurrando em sua linguagem silenciosa.

O sorriso é alegria que não tive,
mas que recebo da sua presença.

Sendo assim, me entrego ao prazer do seu corpo tateando a superfície,
sentindo a respiração ofegante,
sorvendo gemidos,
me surpreendendo pelo fascínio que nos envolve.

Suas pernas me levam à gruta dos búzios;
um mar de espuma, bolhas e ondulações.

Suas curvas deslizam em águas dóceis,
fazendo meu corpo latejar, amando desesperadamente.

Quanto tempo se passou entre o sonho e a realidade?

Momentos de pleno prazer que desfaz as horas,
cessa o instante turbulento, cala-se a voz;
paralisa-se as mãos,
domina-se o imprevisível cativando meu ser profundamente.

Suave e feminina seu ar de mulher,
olhar de menina.

seu corpo é abrigo onde me protejo,
me escondo me inspiro e te amo.

Marcello Lopes 18/04/2009

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Das metamorfoses

Das metamorfoses

guardo lembranças dos momentos felizes.
O resto são objetos perdidos.
Feliz como quem encontra um paraíso há muito tempo perdido.
Sua aparição, um poema.
Uma aventura no parque,
breve interlúdio para uma nova história.
Entre as enormes ruínas do passado, sentamos felizes.
Andando entre os caminhos que nós mesmos construímos, fazemos planos. 
O vento que ensurdece ao mesmo tempo harmoniza o passeio

Lembro das palavras não ditas, o silêncio que atrapalha, as paixões malsucedidas. 
Os pequenos tropeços da vida.
Sem desespero como crianças brincando na escola, você me estende a mão dizendo:
- Vem, são velhas recordações.


Marcello Lopes


segunda-feira, 20 de abril de 2026

17

Com o tempo mudo verso, a curva, o arco, o declive, a maneira de enumerar as paisagens. 

Imagino as palavras que se repetem na saída dos cinemas atravessando os nevoeiros das noites de inverno.

Imagino estas ruas que ficam desertas com o crepúsculo, os campos de batalha, os recados e bilhetes de amor que nunca foram entregues, os caminhos que levam da madrugada até o coração da morte.

Poesia fácil, prosa que vem da melancolia e não da aritmética sentimental das palavras;

Esculturas de sangue, grito, quase ancestrais. 

Mais um sopro nos pinhais, movimenta os destroços de um amor de toda a vida.

Me desengano acerca da poesia, da elevação, da circunstância, falo apenas como os antigos da aventura de um solitário entre ruínas, levantando as pedras, reerguendo muros.

Recordo o vento nas árvores, o musgo entre os carvalhos, o rio dobrando-se numa curva onde não há fim.

Marcello Lopes

domingo, 19 de abril de 2026


Seu sorriso vem acompanhado de vários adjetivos,
meus sonhos tem seu rosto;
minhas exclamações, sua voz.

Ainda lembro da nossa primeira vez juntos,
um som familiar nos envolvia;
a flor deixada de lado:
o café aconchegante que nos suportava;

Entre tantos na multidão fomos fisgados
pela ironia de sabermos o que não queremos;
a sua elegância contrastando com ambiente humilde;

Um quadro de sonhos e versos se forma quando a vejo;
meu tempo sobrecarrega minhas palavras;
o tudo e o nada se esquivam;

Obsessivamente observo suas maneiras,
criando uma aura de encanto e hipnotismo.

O tempo ganha uma aura de sonho quando dos seus lábios
se derrama poemas de Neruda;
que me surpreendo elegendo aqui e ali
as sensações mais emblemáticas.

Das minhas mãos transformo em palavras o que esse momento singular significa;
sua pele se arrepia e compartilhamos um olhar;
arrebato meu desejo com beijos em suas mãos;
escandalizamos o lugar com nossos risos.

Hoje vivemos entre arte, versos e literatura;
nos alimentamos de beijos, sexo e vinho;
no seu corpo meus braços;
na minha paixão, sua razão.

Nada escapa de nós enquanto estamos juntos,
um olhar, um conto efêmero;

Fiz do seu amor a minha vida, minha domadora de palavras;

Quero livros, seres essenciais no nosso universo; onde seus pensamentos se transformam em seres misteriosos que dominam nossas noites;
Construímos aos poucos, entre suores e orgasmos,
textos e versos cuja paternidade silenciam imersos em seus lábios.

Marcello Lopes

sábado, 18 de abril de 2026

Musa


Adoro seu jeito simples de viver,

quero ver seus lábios sorrindo
enlouquecida a mente,
sentir suas pernas trêmulas
depois do gozo
as mãos em sonho retrocedendo fantasias

À meia-luz arranco seu vestido 
acomodo as partes que se gostam
deitando, amando 
banhando um corpo que não se demora, devora! 

Não vou amenizar, assumo meu amor
quero te carregar seu corpo,
sua mente é nossa dança.

Nos seus pés trilho minha via de loucura, paixão e tesão.

Um dia você desiste de correr e se entrega pra mim,
sem desenganos, sorrindo e cantando
o amor mais lindo que já existiu.

Tenho razão em ser feliz porque eu te amo
quero te dar paz, estrelas que enfeitiçam o mar
centelhas que o coração deseja.

Vi dentro do seu olhar a luz que sempre buscava
em plena madrugada,
seus cabelos soltos brilhando ao ser amada.

Como não me apaixonar?
Senti na sua pele o calor que enlouquece,
o encaixe perfeito que não esmorece.

É por esse amor que estou aqui,
pra descobrir quem somos,
e pra nunca mais te ver partir... 

Afogo-me em seus seios,
sacio meu desejo no seu ventre
deixando seus cabelos em desalinho;

Pouso no seu corpo e me abandono no mundo dos seus braços;
adormecendo no seu colo.

Deixei-me seduzir e minha vida invadir;
lancei meu destino em seu coração.

Forrei sua cama com meus poemas,
sua chama apaguei com orgasmos
pra que nunca duvide dos meus desejos.

Marcello Lopes - 25/03/26

quinta-feira, 16 de abril de 2026

19


Busco o rastro do que não se apaga no açoite dos dias,
o ferro que enferruja com a dignidade dos vencidos.

Não quero a rima lapidada, o brilho falso das vitrines,
mas a aspereza da terra que guarda o segredo das raízes.

Somos este intervalo entre o adeus e o esquecimento,
um resto de luz que ainda teima em morder a sombra.

Nas mãos, carrego o peso de cidades que nunca ergui,
e nos olhos, o reflexo de barcos que partiram sem porto.

Amo o que é lento: o crescer do líquen, o cansaço das pedras,
a paciência das águas que desenham o abismo com doçura.

Se o mundo é líquido e nos foge entre os dedos cansados,
faço da minha memória o cântaro que retém, por um instante, 
o gosto de um tempo que não soube ser breve.

Ergo o muro novamente, não para isolar o peito,
mas para ter onde encostar a alma quando o vento for demais.

O amor, enfim, é esse modo de habitar o desmoronamento
com a calma de quem sabe que o pó também é eterno.

Marcello Lopes

segunda-feira, 13 de abril de 2026

28

Pequenas chamas impelidas pelos seus beijos queimam a minha epiderme, através dos seus toques velozes revelam a sua extraordinária capacidade de criar beleza.

No seu corpo explode um incêndio das cores que contrastam com suas coxas suadas transfigurando um universo inteiro.

Nossos corpos mergulham em acordes insólitos, variações cinza e azuis.

Sua voz é de inconcebível afinação que transforma qualquer sonho possível;
sem mudanças, com prazer, com graça, muito sexo, com escolha, com a profundidade das cores,

Muito sexo porque nossa intimidade é importante, escolha porque somos livres para amarmos quem quisermos.

Com profundidade porque nosso amor é real, as cores são muitas, do seu rosto, do seu corpo,
em minha vida a liberdade de sermos sempre felizes não importa a situação da nossa vida,
porque somos dois em um.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

25

Querida, te espero no portão todas as manhãs, preenchendo o tempo com as nossas canções.

Te recordo todas as noites, desenhando meus poemas, permanecendo em silêncio.

Querida, sua falta dói em meu corpo, o sorriso, os pés que me inundavam de felicidade se ausentam.

Eu aqui, nessa cidade inundada e você naquele Belo Horizonte;

São nossos silêncios que calam mais alto em meu peito.

Querida, sou uma alma que procura um poema que possa ser escrito em suas costas, na agonia da paixão e nos vãos dos nossos gemidos.

Te desejo enxergando em seus olhos as estrelas perdidas, descobrindo novos mundos, abrindo fronteiras e escalando precipícios.

Marcello Lopes

terça-feira, 7 de abril de 2026

Cartas


Recebi sua carta com nostalgia dos nossos instantes.

A vida me suga, remoendo meus ossos.

Foram as suas palavras que me acalmaram e ajudaram a ressignificar minha vida.

Saber que meus versos te desnudavam a alma e que hoje eles a amparam nos momentos tristes me faz ter esperanças. 

Naquela época um verso anunciava emoções e vertigens, me deixava apaixonar por cada rima, por cada esperança pontilhada de poesia. 

Suas mãos tomando as minhas, delicadamente, sem pressa e conduzia-me para um recanto de pura alucinação. 

Hoje escrevi de novo pra você, sentado aqui na grande cidade onde o movimento afeta os sentidos, meu ouvidos chegam a zumbir diante da cacofonia de sons, lamentos e de ausências. 

Antes mesmo de abrir a sua correspondência minhas pernas tremiam, excitadas pela curiosidade.

Perambulava pela casa lendo, esculpindo na memória o seu atrevimento.

Como cada letra era capaz de me descrever tão apaixonadamente? 

As linhas escritas mapeavam meu corpo, minha alma e a emoção escorria dos olhos. 

O coração descompassado, a conjunção que insiste em oprimir a minha solidão. 

Marcello Lopes

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Nossa casa

Vivemos nós dois, sozinhos, felizes, extasiados com o silêncio que nossa vida revela. 

A casa pulsa intensamente com nossos corpos, meus poemas, suas texturas e cores.

Somos parte de uma categoria sublime, a de amantes dos valores cunhados em honra e fidelidade; 

Sou parte remendada do tudo e todas as experiências vividas até hoje, de desejos e ilusões de uma vida.

Nossa vida sempre foi assim, amando, sofrendo docemente como convém ao que são intensos. 

O fogo na sua alma queima por amor, algumas vezes chora, outras dança.

Sou poeta e você a minha melhor poesia, seus pés estão em minhas mãos, provo minha força diante das labaredas que nossos amores acendem. 

Amanhece e o sol sempre mostrando a que veio, na ausência de uma rosa, um raio ilumina nosso quarto, minha boca e o silêncio machucado desse lugar nos preenche.

A casa que ecoa as idas e vindas dos nossos beijos, é cheia de aconchegos e impregnada da nossa verdade e de paixão.

Somos apaixonados juntando sentimentos coloridos como quem colhe lírios pela manhã. 

Minha vida inteira foi uma eterna espera até você chegar com seus sonhos e esperanças, a poesia se formou, desalinhada e expressa com novas palavras para um mundo novo. 

Nossa casa tem impressas em suas paredes as palavras, imagens e formas do nosso cotidiano.

Você me fascina em proporções ilimitadas pelos caminhos e pela coreografia iluminada do seu corpo pela manhã. 

Nossa casa tem a sua cor, os seus traços, meus versos.

Marcello Lopes

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Entre corpos entrelaçados;

há tantos perdidos por aí;

somos sonhos.

Nasci para ser instante,

pra ser grito na sua boca.

Marcello Lopes

Feroz Elegância

Nos seus pés que o mundo intercalam,  cria-se cenários onde os olhos se calam, expressão viva do domínio que se fez perfeitamente moldado e ...