segunda-feira, 20 de abril de 2026

17

Com o tempo mudo verso, a curva, o arco, o declive, a maneira de enumerar as paisagens. 

Imagino as palavras que se repetem na saída dos cinemas atravessando os nevoeiros das noites de inverno.

Imagino estas ruas que ficam desertas com o crepúsculo, os campos de batalha, os recados e bilhetes de amor que nunca foram entregues, os caminhos que levam da madrugada até o coração da morte.

Poesia fácil, prosa que vem da melancolia e não da aritmética sentimental das palavras;

Esculturas de sangue, grito, quase ancestrais. 

Mais um sopro nos pinhais, movimenta os destroços de um amor de toda a vida.

Me desengano acerca da poesia, da elevação, da circunstância, falo apenas como os antigos da aventura de um solitário entre ruínas, levantando as pedras, reerguendo muros.

Recordo o vento nas árvores, o musgo entre os carvalhos, o rio dobrando-se numa curva onde não há fim.

Marcello Lopes

domingo, 19 de abril de 2026


Seu sorriso vem acompanhado de vários adjetivos,
meus sonhos tem seu rosto;
minhas exclamações, sua voz.

Ainda lembro da nossa primeira vez juntos,
um som familiar nos envolvia;
a flor deixada de lado:
o café aconchegante que nos suportava;

Entre tantos na multidão fomos fisgados
pela ironia de sabermos o que não queremos;
a sua elegância contrastando com ambiente humilde;

Um quadro de sonhos e versos se forma quando a vejo;
meu tempo sobrecarrega minhas palavras;
o tudo e o nada se esquivam;

Obsessivamente observo suas maneiras,
criando uma aura de encanto e hipnotismo.

O tempo ganha uma aura de sonho quando dos seus lábios
se derrama poemas de Neruda;
que me surpreendo elegendo aqui e ali
as sensações mais emblemáticas.

Das minhas mãos transformo em palavras o que esse momento singular significa;
sua pele se arrepia e compartilhamos um olhar;
arrebato meu desejo com beijos em suas mãos;
escandalizamos o lugar com nossos risos.

Hoje vivemos entre arte, versos e literatura;
nos alimentamos de beijos, sexo e vinho;
no seu corpo meus braços;
na minha paixão, sua razão.

Nada escapa de nós enquanto estamos juntos,
um olhar, um conto efêmero;

Fiz do seu amor a minha vida, minha domadora de palavras;

Quero livros, seres essenciais no nosso universo; onde seus pensamentos se transformam em seres misteriosos que dominam nossas noites;
Construímos aos poucos, entre suores e orgasmos,
textos e versos cuja paternidade silenciam imersos em seus lábios.

Marcello Lopes

sábado, 18 de abril de 2026

Musa


Adoro seu jeito simples de viver,

quero ver seus lábios sorrindo
enlouquecida a mente,
sentir suas pernas trêmulas
depois do gozo
as mãos em sonho retrocedendo fantasias

À meia-luz arranco seu vestido 
acomodo as partes que se gostam
deitando, amando 
banhando um corpo que não se demora, devora! 

Não vou amenizar, assumo meu amor
quero te carregar seu corpo,
sua mente é nossa dança.

Nos seus pés trilho minha via de loucura, paixão e tesão.

Um dia você desiste de correr e se entrega pra mim,
sem desenganos, sorrindo e cantando
o amor mais lindo que já existiu.

Tenho razão em ser feliz porque eu te amo
quero te dar paz, estrelas que enfeitiçam o mar
centelhas que o coração deseja.

Vi dentro do seu olhar a luz que sempre buscava
em plena madrugada,
seus cabelos soltos brilhando ao ser amada.

Como não me apaixonar?
Senti na sua pele o calor que enlouquece,
o encaixe perfeito que não esmorece.

É por esse amor que estou aqui,
pra descobrir quem somos,
e pra nunca mais te ver partir... 

Afogo-me em seus seios,
sacio meu desejo no seu ventre
deixando seus cabelos em desalinho;

Pouso no seu corpo e me abandono no mundo dos seus braços;
adormecendo no seu colo.

Deixei-me seduzir e minha vida invadir;
lancei meu destino em seu coração.

Forrei sua cama com meus poemas,
sua chama apaguei com orgasmos
pra que nunca duvide dos meus desejos.

Marcello Lopes - 25/03/26

quinta-feira, 16 de abril de 2026

19


Busco o rastro do que não se apaga no açoite dos dias,
o ferro que enferruja com a dignidade dos vencidos.

Não quero a rima lapidada, o brilho falso das vitrines,
mas a aspereza da terra que guarda o segredo das raízes.

Somos este intervalo entre o adeus e o esquecimento,
um resto de luz que ainda teima em morder a sombra.

Nas mãos, carrego o peso de cidades que nunca ergui,
e nos olhos, o reflexo de barcos que partiram sem porto.

Amo o que é lento: o crescer do líquen, o cansaço das pedras,
a paciência das águas que desenham o abismo com doçura.

Se o mundo é líquido e nos foge entre os dedos cansados,
faço da minha memória o cântaro que retém, por um instante, 
o gosto de um tempo que não soube ser breve.

Ergo o muro novamente, não para isolar o peito,
mas para ter onde encostar a alma quando o vento for demais.

O amor, enfim, é esse modo de habitar o desmoronamento
com a calma de quem sabe que o pó também é eterno.

Marcello Lopes

segunda-feira, 13 de abril de 2026

28

Pequenas chamas impelidas pelos seus beijos queimam a minha epiderme, através dos seus toques velozes revelam a sua extraordinária capacidade de criar beleza.

No seu corpo explode um incêndio das cores que contrastam com suas coxas suadas transfigurando um universo inteiro.

Nossos corpos mergulham em acordes insólitos, variações cinza e azuis.

Sua voz é de inconcebível afinação que transforma qualquer sonho possível;
sem mudanças, com prazer, com graça, muito sexo, com escolha, com a profundidade das cores,

Muito sexo porque nossa intimidade é importante, escolha porque somos livres para amarmos quem quisermos.

Com profundidade porque nosso amor é real, as cores são muitas, do seu rosto, do seu corpo,
em minha vida a liberdade de sermos sempre felizes não importa a situação da nossa vida,
porque somos dois em um.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

25

Querida, te espero no portão todas as manhãs, preenchendo o tempo com as nossas canções.

Te recordo todas as noites, desenhando meus poemas, permanecendo em silêncio.

Querida, sua falta dói em meu corpo, o sorriso, os pés que me inundavam de felicidade se ausentam.

Eu aqui, nessa cidade inundada e você naquele Belo Horizonte;

São nossos silêncios que calam mais alto em meu peito.

Querida, sou uma alma que procura um poema que possa ser escrito em suas costas, na agonia da paixão e nos vãos dos nossos gemidos.

Te desejo enxergando em seus olhos as estrelas perdidas, descobrindo novos mundos, abrindo fronteiras e escalando precipícios.

Marcello Lopes

terça-feira, 7 de abril de 2026

Cartas


Recebi sua carta com nostalgia dos nossos instantes.

A vida me suga, remoendo meus ossos.

Foram as suas palavras que me acalmaram e ajudaram a ressignificar minha vida.

Saber que meus versos te desnudavam a alma e que hoje eles a amparam nos momentos tristes me faz ter esperanças. 

Naquela época um verso anunciava emoções e vertigens, me deixava apaixonar por cada rima, por cada esperança pontilhada de poesia. 

Suas mãos tomando as minhas, delicadamente, sem pressa e conduzia-me para um recanto de pura alucinação. 

Hoje escrevi de novo pra você, sentado aqui na grande cidade onde o movimento afeta os sentidos, meu ouvidos chegam a zumbir diante da cacofonia de sons, lamentos e de ausências. 

Antes mesmo de abrir a sua correspondência minhas pernas tremiam, excitadas pela curiosidade.

Perambulava pela casa lendo, esculpindo na memória o seu atrevimento.

Como cada letra era capaz de me descrever tão apaixonadamente? 

As linhas escritas mapeavam meu corpo, minha alma e a emoção escorria dos olhos. 

O coração descompassado, a conjunção que insiste em oprimir a minha solidão. 

Marcello Lopes

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Nossa casa

Vivemos nós dois, sozinhos, felizes, extasiados com o silêncio que nossa vida revela. 

A casa pulsa intensamente com nossos corpos, meus poemas, suas texturas e cores.

Somos parte de uma categoria sublime, a de amantes dos valores cunhados em honra e fidelidade; 

Sou parte remendada do tudo e todas as experiências vividas até hoje, de desejos e ilusões de uma vida.

Nossa vida sempre foi assim, amando, sofrendo docemente como convém ao que são intensos. 

O fogo na sua alma queima por amor, algumas vezes chora, outras dança.

Sou poeta e você a minha melhor poesia, seus pés estão em minhas mãos, provo minha força diante das labaredas que nossos amores acendem. 

Amanhece e o sol sempre mostrando a que veio, na ausência de uma rosa, um raio ilumina nosso quarto, minha boca e o silêncio machucado desse lugar nos preenche.

A casa que ecoa as idas e vindas dos nossos beijos, é cheia de aconchegos e impregnada da nossa verdade e de paixão.

Somos apaixonados juntando sentimentos coloridos como quem colhe lírios pela manhã. 

Minha vida inteira foi uma eterna espera até você chegar com seus sonhos e esperanças, a poesia se formou, desalinhada e expressa com novas palavras para um mundo novo. 

Nossa casa tem impressas em suas paredes as palavras, imagens e formas do nosso cotidiano.

Você me fascina em proporções ilimitadas pelos caminhos e pela coreografia iluminada do seu corpo pela manhã. 

Nossa casa tem a sua cor, os seus traços, meus versos.

Marcello Lopes

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Entre corpos entrelaçados;

há tantos perdidos por aí;

somos sonhos.

Nasci para ser instante,

pra ser grito na sua boca.

Marcello Lopes

17

Com o tempo mudo verso, a curva, o arco, o declive, a maneira de enumerar as paisagens.  Imagino as palavras que se repetem na saída dos cin...