quarta-feira, 12 de junho de 2024

16


A realidade confundia-se com o sonho, de cem em cem passos recito uma breve composição que hoje identifico indissoluvelmente ao seu nome.

Em cada desenho meu, os seus pés assinavam um verso, pensava comigo feliz dos lábios que neles habitaram.

Há muito esperava esse momento, a sorver seus pés com uma adolescência feroz, lábios queimados pela invenção de tantas paisagens que já não cabem nesse corpo.

O som do silêncio arrasa o meu ser, desabitando o meu desejo, salpicando de sangue o vento.

Por isso abra a passagem entre as nuvens e a luz, grita meu destino como um só corpo e paixão!

Prometo-te uma tarde de verão, coro dos anjos, jorro da água de um rio turquesa cuja luz resplandecerá o seu corpo.

Marcello Lopes

Nenhum comentário:

Postar um comentário

17

Com o tempo mudo verso, a curva, o arco, o declive, a maneira de enumerar as paisagens.  Imagino as palavras que se repetem na saída dos cin...