segunda-feira, 16 de outubro de 2023

As manhãs

 

Minhas manhãs são mais suaves, da minha janela as forças da natureza giram em perfeitos círculos.

As rosas, os frutos rompem depois de uma maturação tranquila.

Minhas manhãs são mais suaves, há apenas duas estações o verão que me afeta, e o outono distante de esperanças feitas.

Cada uma delas me faz relembrar aromas de especiarias, da brisa que embala o sono, as abelhas do dia.

Caminho sobre a grama os sons ondulando na minha vida, borboletas voando á luz solar.

Minhas manhãs estão diferentes, com sonhos que escoam o tempo que rompem o ar de junho.

A natureza de cor púrpura me atinge de súbito ampliando a aurora as cores, o feitiço.

Os dias são tão incisivos que aquietam minhas aflições.

As noites tornaram-se limitadas e precoces, os ventos criam o caminho para as folhas que se desprenderam.

As manhãs mais suaves tocam-me transformando meus dedos, cantando para os meus olhos.

A neblina do outro lado terminou em uma ensolarada estrada, envolveu planícies e ruas inteiras lançando seu véu iluminado.

As preocupações ainda esquecidas formavam montes alcançando o horizonte.

O sol silenciou tudo negando a sua colheita.

As minhas manhãs são suaves e etéreas.

Vermelha é a manhã e púrpura se tornou tarde, depois não há mais nada.

Poema: Marcello Lopes
Bertioga 05/2003

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Afinidade


Minhas obsessões foram varridas pelo furacão da tua presença.

Perto de ti todas as outras mulheres parecem irrelevantes.

Redescubro poemas esquecidos ensaios abandonados, sobre a beleza de ser um apaixonado.

Nosso caso é rodeado de descrições das paisagens bucólicas que excitam nosso olhar.

Desvendo teus métodos de sedução para aplicá-los em nossa vida.

Minha memória governa nossa relação, atravessando as geografias do teu corpo escutando pequenos casos e uma canção.

Acontecimentos poéticos, crônicas apaixonadas, que nascem da nossa interação.

É nessa realidade que se ilustra o desejo e explica a nossa afinidade.

Poema: Marcello Lopes

18/03/09


quinta-feira, 6 de julho de 2023

Érato II


Idealizei-te em meus sonhos,

buscando rumos diferentes.

Teu nome é quase mágico, 

Érato, a musa que rege minhas mãos.

Pois todas as outras mãos desfalecem sobre páginas em branco

escutando seu suspiro, encantando as letras.

Tua forma, musa resgata os sonhos de todos nós,

mendigos de tua atenção.

É em tua boca que eu encontro a sedução.

Eu a conheço dos abismos dos meus sonhos, 

entre os fantasmas dos esquecidos eu a reconheço.

Teu coração não pede, nem toma apenas seduz.

Já não sofro, nem sinto silêncio ao redor de ti.

Tuas ideias consomem minha imaginação, desenho teu corpo, 

teu andar nas areias do pensamento.

Teu riso nunca mais me esquecerei, foi um breve momento,

onde a estridente alegria

deu lugar a serena paixão naqueles pequenos instantes.

Marcello Lopes

segunda-feira, 3 de julho de 2023

11

 


Não importa aonde você vá,
nunca vai se esquecer daquele momento
que deitados com as mãos imóveis,
suplicávamos pelo infinito.

Naquela noite o medo desapareceu do
lado oposto,
levado pela doce cadência
do nosso amor.

Você nunca vai esquecer
a noite fria que nos consumia
entre areias, nuvens e
espumas.

O gosto da sua boca,
a explicação do seu corpo é difícil
se torna um objeto complexo.

Você nunca vai esquecer
do frescor intenso do desejo
apaziguado,
da fascinação que era acordar
lado a lado.

Você é a minha inspiração,
o mito,
a palavra.

Você nunca vai esquecer
de que possuindo a palavra,
eu construo a nossa história.

Despertando com as memórias
irresistíveis dos momentos
que passamos juntos,
me ocupo em encontrar
o seu significado.

Entre encantos e claridades.

Você nunca vai esquecer
os céus estrelados,
nossas mãos em diversas
direções.

Enquanto as flores se modelavam,
nossos corações arriscavam perguntas
sobre o futuro.

Você nunca vai esquecer
nossos olhos espantados
os lábios queimando sem
pecado,
no mais profundo passado.

Marcello Lopes

segunda-feira, 26 de junho de 2023

10




Eu te espero

Eu te espero mesmo que a convivência da perda irremediável me conduza a uma tristeza profunda.

Descubro-me feliz pela ansiedade da sua presença, pelas verdades que você me apresentou e com elas estabelecidas dimensões se abrem.

Eu te espero em silêncio que me acalma, pacifica meu tesão.

No meu coração é a soberana, para te amar me desdobro em lágrimas, em meu corpo é a tirana que me consome de desejo até as entranhas.

Eu te espero por meio das marés imponderáveis dessa vida, estranhas conexões que se transformam em laços cruciais.

Amor, digo seu nome em saudação a nossa história, em reconhecimento pela vida, pelo meu afeto.

Eu te espero, inventando letras, sentimentos, construindo poesias, espalhando matéria-prima originada pela saudade.

Seus olhos me reconciliam comigo mesmo, suas mãos exprimem as lembranças felizes, esperanças imperecíveis do meu amor.

Eu te espero, trazendo no peito a melancolia dos tempos felizes.

Esse sentimento que é a mensagem dos ausentes, polida pelas força das lágrimas.

Rezo e choro tentando achar um sentido quando confrontado com as situações fora de controle, ausência do seu colo, solidão na minha cama.

Fragmentado pela dor, a incompreensão que nasceu da sua ausência me devasta a alma.

Eu te espero por que nada é tão feio ou sórdido, por que tudo passa e saúdo seu sorriso mesmo que por um breve momento.

Marcello Lopes 07/05/2008

segunda-feira, 19 de junho de 2023

9

 


Um dia te conheci
apaixonando-me pela tua face febril
com meus olhos perseguindo o vazio.


Um dia,
tentei te contar
a mensagem de amor que escrevi.


Com o coração iluminado
pelo teu sorriso,
sem ar,
pronunciei-a.


Não em palavras,
nem versos de amor,
contei sobre teu perfume de flores
o vento no teu cabelo


a manhã iluminada pelos teus olhos
e o azul dos teus olhos refletindo
no céu.


E sem aviso,
numa gentileza enorme
ganhei um beijo.


Poema: Marcello Lopes
11/12/2007

quarta-feira, 14 de junho de 2023

8

 


Corre
descuidada sob o céu mais azul.
onde o ar é puro,
corre...

Talvez quando eu te vi
fosse um sonho,
sonho meu.

Olha,
esses olhos tudo despem,
o mundo é frio
mas o desejo nos esquenta a alma,
então olha claramente.

Canta,
pois o dia nasce e sou teu poeta
aos teus pés escrevo  
sobre prazeres perdidos
canta glorificando-os.

Nessa sinfonia
os sinos,
a marcha
até mesmo Beethoven
silenciam.

Dorme,
o coração sofre 
separado pela circunstância
preso por essa distância.

Suspira,
movendo a seda
que tece teus sonhos.

Move-se entre esse invencível exército
que procura em vão
como eu,
o louvor de uma 
canção.

Vencendo assim,
ostentando o corpo sensual,
que oscila,
que desmaia 
desprovida de sombras
escassamente compreendida, mas vitoriosa.

Marcello Lopes

terça-feira, 13 de junho de 2023

7

Quero romper com este mundo, 
enfrentá-lo,
sem vacilar um momento para então atacá-lo.


Já não sou mais o mesmo
uma parte do meu ser, sumiu.
a outra, no entanto, reluta em existir.

Esse mundo que nunca foi permanente,
sem notar me ofusca com suas ilusões.

Minha mente já não é absoluta,
meu corpo delira.

De repente,
o mundo me acusa,
me condena sem justa causa.

Com profunda saudade,
lembro do que todos já esqueceram,
a nossa felicidade.

Quero mudar,
deixar tudo isso pra trás,
toda a lama, a sujeira e a solidão.

Mas o mundo reage,
sem poder me defender fico a mercê
de toda a sua escuridão.

Sem me controlar,
fraquejo,
vejo um mundo tão obscuro,

Onde tudo o que se faz é roubar.

Roubar nossos sonhos,
determinando o que é certo para eles
e o que é errado para nós.

Silenciando nossas vozes,
menosprezando nosso talento,
nos forçando a mendigar brilho em lugares desertos.

Ferindo nossos olhos,
para que não pudéssemos enxergar o reflexo de suas ações.

Imitando o purgatório onde as almas queimam
em suas próprias consciências.

Padeço nesse mundo,
preso á versos inúteis,
ritmos desarticulados.

Poema: Marcello Lopes
31/07/00

sábado, 10 de junho de 2023

6



Esse poema é teu.

Nada, nem ninguém pode te tirar a eternidade desse momento.

A felicidade que eu tenho em te escrever, quase eclipsa o sentimento bom de te conhecer.

É por fugir de mim e pela incomunicabilidade de tuas ações que transforma esse momento único, raro.

Sim, porque amanhã quem sabe onde estaremos?

É teu esse poema que me move, que o tempo assiste mudo porque conhece a efemeridade da vida.

Quero que você me fale de onde vem, para que eu possa te entender.

Pois quando eu a olho vejo o mistério estampado em seus olhos.
 
Quero que você chegue a mim, devagar e com simplicidade conta-me tudo que eu não sei.

O que há por detrás do seu sorriso?

Quero te perguntar sobre o começo de todas as coisas, te falo sobre tudo e sobre todos mas nada disso te tocou.

Teu sentimento não está em nada dessas coisas, então disse que te adorava e ficastes olhando para tão longe que pensei por um momento descobrir o caminho do teu coração.

Teu poema é como fogo, desprezando a ilusão da limitação, quanto mais se alastrar em teu peito mais teu contorno se mostrará inquieto, tendo a riqueza dos seus olhos iluminando a minha desesperançada escuridão.

Olha para mim por muito tempo, é verdade que eu estou dizendo.

Pode ser que saibas disso, fico em tua frente como quem estende suas redes no mar e cansado demais para recolhê-las não tem pressa em te conquistar. 

Marcello Lopes

segunda-feira, 5 de junho de 2023

5


Sou a sua sedução,

cheia de incertezas,
transbordando falsas esperanças
com uma alegria contagiante.

Em minhas mãos você encontrou o impacto,
a luz que cega,
as palavras que nunca ouviu e
assim você se apaixonou.

Me perdoa quando mantive silêncio,
durante seu sofrimento.

A liberdade que antes te pertencia,
agora não existe mais,
nenhum doce momento.

Me perdoa quando depois do fim,
tão simplesmente me escondi.

Como uma criança, acreditou que eu iria salvá-la,
olho minhas mãos e não vejo milagre,
nem descobertas.

Eu sou uma canção,
um caminho,
uma recordação.

Me perdoa, pois sou pecado.

Na solidão das aparências,
sem prefácios,
nem epílogos desapareci.

Fui apenas um trecho,
um vôo de andorinha,

sou apenas passado.


Marcello Lopes 01/05/05

sexta-feira, 2 de junho de 2023

4

 

Aparência e substância


A aparência chama à atenção a substância cativa.

A Aparência delicia o olhar alheio,
a substância deleita nosso espírito.
Nos momentos de escuridão, 
a aparência desaparece e a substância clareia a mente.
Nos momentos de felicidade,
a aparência se expõe para a platéia,
a substância aprecia seu real valor.
Na doença,
a aparência fraqueja.
A substância consola e engrandece.
Na velhice,
a aparência enlouquece,
a substância fulgura iluminada.
Na morte,
a aparência sofre,
a substância ilumina e ensina.

Marcello Lopes

sexta-feira, 26 de maio de 2023

3

Crédito: Nilo / Artmajeur

Uma canção de muito longe, ritmada, milagrosamente límpida subiu aos céus em meio ao mundo vago e perdido.

Um milagre que surge sabiamente em forma de música.

Deve haver tantas coisas que merecem ser cantadas, além da própria dor.

A construção de um poema sinfônico se dá por inspiração que só amor fornece.

A canção dos romances perdidos, do amor imprevisto, da trágica separação.

Da beleza da alma surge esperança, quase sobrenatural, onde temas, arranjos se encaixam.

O silêncio lentamente cede espaço, ao sereno, mas belo jazz, herança de um gênio.

Para Miles


Marcello Lopes 04/05/06


quinta-feira, 18 de maio de 2023

Érato

Edward John Poynter

Em teus olhos magnéticos e curiosos

anseia pela possibilidade de um amor,
em forma de verdade e felicidade.

Pressinto que foges de algo e de tanto te querer,
já sinto em mim mesmo.

Quanto mais te contemplo, mais te absorvo
e juntos e contrários partimos.

Nos desencontros nos revemos,
nas despedidas te torna mais bela.

Em teus olhos, desinibidos, sutis
farta de tanto partir das distâncias necessárias
encontra verdades em minhas  sutilezas.

Da tua vida retiro estórias, quero me abranger
ser tua memória.

Mas permanece ausente absorvendo esperanças
mesmo negando o que alimenta.

Teus olhos me obrigam a me envolver.

Em tuas formas, nervos e tecidos.

Persigo o tempo nas asas do vento
a trilha dos teus pés.

Se eu me aproximo sorri,
pelas minhas mãos te revivo,
te tateio, em meus poemas
te percebo.

Menina em teus olhos que eu não 
posso recusar, existe uma memória
que preferes guardar.

Te vejo com uma lembrança que imita
um objeto que apenas existe
e contra o amor persiste.

Teus olhos, envolvem
subjugam toda e qualquer vontade.

Mas é teu corpo que transporta os sonhos.

Meus e seus.

Contorno suas defesas, onde renasço em teu sorriso.

Te espero sozinho,
com teus olhos iluminados
guiando meu caminho.

Marcello Lopes
27/02/2009

sábado, 15 de abril de 2023

2

 


Das metamorfoses
eu guardo as lembranças dos momentos felizes.
O resto são objetos perdidos.
Feliz como quem encontra um paraíso há muito tempo perdido.
Sua aparição, um poema.
Uma aventura no parque, interlúdio para uma nova história.
Entre as enormes ruínas do meu passado, sentamos felizes.
Caminhando entre as ruas que nós mesmos construímos,
planos. 
O vento que ensurdece
o passeio que harmoniza. 
Lembro das palavras não ditas,
o silêncio que atrapalha,
as paixões mal-sucedidas. 
são os pequenos tropeços da vida.
Sem desespero, como crianças brincando na escola,
você me estende a mão dizendo:
- Vem, são velhas recordações.


Marcello Lopes 03/12/07


1



Teu corpo solto, iluminado deixa-me extasiado. 

Tuas curvas delirantes, torturantes, são o meu abismo onde minha sanidade se esconde.

Teus beijos envolvem minha pele, em uma troca louca de calor, suor.

Estou perdido entre teus seios, doces e quentes que minhas mãos descobrem.



Teus olhos me conduzem á uma felicidade jamais sonhada.

Teu sorriso me hipnotiza, doce desejo.

Desejo de te amar, de me perder, enlouquecer.

Teus lábios me atacam, me invadem a alma
em uma torrente de brilho e frescor, caí em teus encantos,
prisioneiro de um sentimento mais forte do que eu.

Tormento da fusão de corpos, da emoção do êxtase,
nesse emaranhado de sensações, de mãos e pés,
de sussurros e de imagens desconexas.

Te descubro cada dia mais.

Marcello Lopes

17

Com o tempo mudo verso, a curva, o arco, o declive, a maneira de enumerar as paisagens.  Imagino as palavras que se repetem na saída dos cin...