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Esse poema é teu.

Nada, nem ninguém pode te tirar a eternidade desse momento.

A felicidade que eu tenho em te escrever, quase eclipsa o sentimento bom de te conhecer.

É por fugir de mim e pela incomunicabilidade de tuas ações que transforma esse momento único, raro.

Sim, porque amanhã quem sabe onde estaremos?

É teu esse poema que me move, que o tempo assiste mudo porque conhece a efemeridade da vida.

Quero que você me fale de onde vem, para que eu possa te entender.

Pois quando eu a olho vejo o mistério estampado em seus olhos.
 
Quero que você chegue a mim, devagar e com simplicidade conta-me tudo que eu não sei.

O que há por detrás do seu sorriso?

Quero te perguntar sobre o começo de todas as coisas, te falo sobre tudo e sobre todos mas nada disso te tocou.

Teu sentimento não está em nada dessas coisas, então disse que te adorava e ficastes olhando para tão longe que pensei por um momento descobrir o caminho do teu coração.

Teu poema é como fogo, desprezando a ilusão da limitação, quanto mais se alastrar em teu peito mais teu contorno se mostrará inquieto, tendo a riqueza dos seus olhos iluminando a minha desesperançada escuridão.

Olha para mim por muito tempo, é verdade que eu estou dizendo.

Pode ser que saibas disso, fico em tua frente como quem estende suas redes no mar e cansado demais para recolhê-las não tem pressa em te conquistar. 

Marcello Lopes

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