segunda-feira, 26 de junho de 2023

10




Eu te espero

Eu te espero mesmo que a convivência da perda irremediável me conduza a uma tristeza profunda.

Descubro-me feliz pela ansiedade da sua presença, pelas verdades que você me apresentou e com elas estabelecidas dimensões se abrem.

Eu te espero em silêncio que me acalma, pacifica meu tesão.

No meu coração é a soberana, para te amar me desdobro em lágrimas, em meu corpo é a tirana que me consome de desejo até as entranhas.

Eu te espero por meio das marés imponderáveis dessa vida, estranhas conexões que se transformam em laços cruciais.

Amor, digo seu nome em saudação a nossa história, em reconhecimento pela vida, pelo meu afeto.

Eu te espero, inventando letras, sentimentos, construindo poesias, espalhando matéria-prima originada pela saudade.

Seus olhos me reconciliam comigo mesmo, suas mãos exprimem as lembranças felizes, esperanças imperecíveis do meu amor.

Eu te espero, trazendo no peito a melancolia dos tempos felizes.

Esse sentimento que é a mensagem dos ausentes, polida pelas força das lágrimas.

Rezo e choro tentando achar um sentido quando confrontado com as situações fora de controle, ausência do seu colo, solidão na minha cama.

Fragmentado pela dor, a incompreensão que nasceu da sua ausência me devasta a alma.

Eu te espero por que nada é tão feio ou sórdido, por que tudo passa e saúdo seu sorriso mesmo que por um breve momento.

Marcello Lopes 07/05/2008

segunda-feira, 19 de junho de 2023

9

 


Um dia te conheci
apaixonando-me pela tua face febril
com meus olhos perseguindo o vazio.


Um dia,
tentei te contar
a mensagem de amor que escrevi.


Com o coração iluminado
pelo teu sorriso,
sem ar,
pronunciei-a.


Não em palavras,
nem versos de amor,
contei sobre teu perfume de flores
o vento no teu cabelo


a manhã iluminada pelos teus olhos
e o azul dos teus olhos refletindo
no céu.


E sem aviso,
numa gentileza enorme
ganhei um beijo.


Poema: Marcello Lopes
11/12/2007

quarta-feira, 14 de junho de 2023

8

 


Corre
descuidada sob o céu mais azul.
onde o ar é puro,
corre...

Talvez quando eu te vi
fosse um sonho,
sonho meu.

Olha,
esses olhos tudo despem,
o mundo é frio
mas o desejo nos esquenta a alma,
então olha claramente.

Canta,
pois o dia nasce e sou teu poeta
aos teus pés escrevo  
sobre prazeres perdidos
canta glorificando-os.

Nessa sinfonia
os sinos,
a marcha
até mesmo Beethoven
silenciam.

Dorme,
o coração sofre 
separado pela circunstância
preso por essa distância.

Suspira,
movendo a seda
que tece teus sonhos.

Move-se entre esse invencível exército
que procura em vão
como eu,
o louvor de uma 
canção.

Vencendo assim,
ostentando o corpo sensual,
que oscila,
que desmaia 
desprovida de sombras
escassamente compreendida, mas vitoriosa.

Marcello Lopes

terça-feira, 13 de junho de 2023

7

Quero romper com este mundo, 
enfrentá-lo,
sem vacilar um momento para então atacá-lo.


Já não sou mais o mesmo
uma parte do meu ser, sumiu.
a outra, no entanto, reluta em existir.

Esse mundo que nunca foi permanente,
sem notar me ofusca com suas ilusões.

Minha mente já não é absoluta,
meu corpo delira.

De repente,
o mundo me acusa,
me condena sem justa causa.

Com profunda saudade,
lembro do que todos já esqueceram,
a nossa felicidade.

Quero mudar,
deixar tudo isso pra trás,
toda a lama, a sujeira e a solidão.

Mas o mundo reage,
sem poder me defender fico a mercê
de toda a sua escuridão.

Sem me controlar,
fraquejo,
vejo um mundo tão obscuro,

Onde tudo o que se faz é roubar.

Roubar nossos sonhos,
determinando o que é certo para eles
e o que é errado para nós.

Silenciando nossas vozes,
menosprezando nosso talento,
nos forçando a mendigar brilho em lugares desertos.

Ferindo nossos olhos,
para que não pudéssemos enxergar o reflexo de suas ações.

Imitando o purgatório onde as almas queimam
em suas próprias consciências.

Padeço nesse mundo,
preso á versos inúteis,
ritmos desarticulados.

Poema: Marcello Lopes
31/07/00

sábado, 10 de junho de 2023

6



Esse poema é teu.

Nada, nem ninguém pode te tirar a eternidade desse momento.

A felicidade que eu tenho em te escrever, quase eclipsa o sentimento bom de te conhecer.

É por fugir de mim e pela incomunicabilidade de tuas ações que transforma esse momento único, raro.

Sim, porque amanhã quem sabe onde estaremos?

É teu esse poema que me move, que o tempo assiste mudo porque conhece a efemeridade da vida.

Quero que você me fale de onde vem, para que eu possa te entender.

Pois quando eu a olho vejo o mistério estampado em seus olhos.
 
Quero que você chegue a mim, devagar e com simplicidade conta-me tudo que eu não sei.

O que há por detrás do seu sorriso?

Quero te perguntar sobre o começo de todas as coisas, te falo sobre tudo e sobre todos mas nada disso te tocou.

Teu sentimento não está em nada dessas coisas, então disse que te adorava e ficastes olhando para tão longe que pensei por um momento descobrir o caminho do teu coração.

Teu poema é como fogo, desprezando a ilusão da limitação, quanto mais se alastrar em teu peito mais teu contorno se mostrará inquieto, tendo a riqueza dos seus olhos iluminando a minha desesperançada escuridão.

Olha para mim por muito tempo, é verdade que eu estou dizendo.

Pode ser que saibas disso, fico em tua frente como quem estende suas redes no mar e cansado demais para recolhê-las não tem pressa em te conquistar. 

Marcello Lopes

segunda-feira, 5 de junho de 2023

5


Sou a sua sedução,

cheia de incertezas,
transbordando falsas esperanças
com uma alegria contagiante.

Em minhas mãos você encontrou o impacto,
a luz que cega,
as palavras que nunca ouviu e
assim você se apaixonou.

Me perdoa quando mantive silêncio,
durante seu sofrimento.

A liberdade que antes te pertencia,
agora não existe mais,
nenhum doce momento.

Me perdoa quando depois do fim,
tão simplesmente me escondi.

Como uma criança, acreditou que eu iria salvá-la,
olho minhas mãos e não vejo milagre,
nem descobertas.

Eu sou uma canção,
um caminho,
uma recordação.

Me perdoa, pois sou pecado.

Na solidão das aparências,
sem prefácios,
nem epílogos desapareci.

Fui apenas um trecho,
um vôo de andorinha,

sou apenas passado.


Marcello Lopes 01/05/05

sexta-feira, 2 de junho de 2023

4

 

Aparência e substância


A aparência chama à atenção a substância cativa.

A Aparência delicia o olhar alheio,
a substância deleita nosso espírito.
Nos momentos de escuridão, 
a aparência desaparece e a substância clareia a mente.
Nos momentos de felicidade,
a aparência se expõe para a platéia,
a substância aprecia seu real valor.
Na doença,
a aparência fraqueja.
A substância consola e engrandece.
Na velhice,
a aparência enlouquece,
a substância fulgura iluminada.
Na morte,
a aparência sofre,
a substância ilumina e ensina.

Marcello Lopes

17

Com o tempo mudo verso, a curva, o arco, o declive, a maneira de enumerar as paisagens.  Imagino as palavras que se repetem na saída dos cin...