Com o tempo mudo verso, a curva, o arco, o declive, a maneira de enumerar as paisagens.
Imagino as palavras que se repetem na saída dos cinemas atravessando os nevoeiros das noites de inverno.
Imagino estas ruas que ficam desertas com o crepúsculo, os campos de batalha, os recados e bilhetes de amor que nunca foram entregues, os caminhos que levam da madrugada até o coração da morte.
Poesia
fácil, prosa que vem da melancolia e não da aritmética
sentimental das palavras;
Esculturas de sangue, grito, quase ancestrais.
Mais um sopro nos pinhais, movimenta os destroços de um amor de toda a vida.
Me desengano acerca da poesia, da elevação, da circunstância, falo apenas como os antigos da aventura de um solitário entre ruínas, levantando as pedras, reerguendo muros.
Recordo o vento nas árvores, o musgo entre os carvalhos, o rio dobrando-se numa curva onde não há fim.
Marcello Lopes
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