terça-feira, 7 de abril de 2026

Cartas


Recebi sua carta com nostalgia dos nossos instantes.

A vida me suga, remoendo meus ossos.

Foram as suas palavras que me acalmaram e ajudaram a ressignificar minha vida.

Saber que meus versos te desnudavam a alma e que hoje eles a amparam nos momentos tristes me faz ter esperanças. 

Naquela época um verso anunciava emoções e vertigens, me deixava apaixonar por cada rima, por cada esperança pontilhada de poesia. 

Suas mãos tomando as minhas, delicadamente, sem pressa e conduzia-me para um recanto de pura alucinação. 

Hoje escrevi de novo pra você, sentado aqui na grande cidade onde o movimento afeta os sentidos, meu ouvidos chegam a zumbir diante da cacofonia de sons, lamentos e de ausências. 

Antes mesmo de abrir a sua correspondência minhas pernas tremiam, excitadas pela curiosidade.

Perambulava pela casa lendo, esculpindo na memória o seu atrevimento.

Como cada letra era capaz de me descrever tão apaixonadamente? 

As linhas escritas mapeavam meu corpo, minha alma e a emoção escorria dos olhos. 

O coração descompassado, a conjunção que insiste em oprimir a minha solidão. 

Marcello Lopes

Nenhum comentário:

Postar um comentário

17

Com o tempo mudo verso, a curva, o arco, o declive, a maneira de enumerar as paisagens.  Imagino as palavras que se repetem na saída dos cin...