
Recebi sua carta com nostalgia dos nossos instantes.
A vida me suga, remoendo meus ossos.
Foram as suas palavras que me acalmaram e ajudaram a ressignificar minha vida.
Saber que meus versos te desnudavam a alma e que hoje eles a amparam nos momentos tristes me faz ter esperanças.
Naquela época um verso anunciava emoções e vertigens, me deixava apaixonar por cada rima, por cada esperança pontilhada de poesia.
Suas mãos tomando as minhas, delicadamente, sem pressa e conduzia-me para um recanto de pura alucinação.
Hoje escrevi de novo pra você, sentado aqui na grande cidade onde o movimento afeta os sentidos, meu ouvidos chegam a zumbir diante da cacofonia de sons, lamentos e de ausências.
Antes mesmo de abrir a sua correspondência minhas pernas tremiam, excitadas pela curiosidade.
Perambulava pela casa lendo, esculpindo na memória o seu atrevimento.
Como cada letra era capaz de me descrever tão apaixonadamente?
As linhas escritas mapeavam meu corpo, minha alma e a emoção escorria dos olhos.
O coração descompassado, a conjunção que insiste em oprimir a minha solidão.
Marcello Lopes
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