quarta-feira, 12 de junho de 2024

16


A realidade confundia-se com o sonho, de cem em cem passos recito uma breve composição que hoje identifico indissoluvelmente ao seu nome.

Em cada desenho meu, os seus pés assinavam um verso, pensava comigo feliz dos lábios que neles habitaram.

Há muito esperava esse momento, a sorver seus pés com uma adolescência feroz, lábios queimados pela invenção de tantas paisagens que já não cabem nesse corpo.

O som do silêncio arrasa o meu ser, desabitando o meu desejo, salpicando de sangue o vento.

Por isso abra a passagem entre as nuvens e a luz, grita meu destino como um só corpo e paixão!

Prometo-te uma tarde de verão, coro dos anjos, jorro da água de um rio turquesa cuja luz resplandecerá o seu corpo.

Marcello Lopes

quinta-feira, 6 de junho de 2024

21

O tempo é seu, estenda suas mãos de mel e sedução, e cultivam seus sentimentos os amores, a vida.

Com um sorriso no rosto, sabes que cada escolha sua reflete em minha vida.

O tempo é seu, não saia me procurando por aí sou livre e me escondo nos recessos do seu coração.

Na intensidade da luz e na aconchegante escuridão, te imploro que não me procure fora da sua paixão.

Sonhe devagar, muitas tiveram a chance de me amar com falso amor ou sincero, mas nem todas entenderam minha alma poética.

O tempo é seu, você amou com mágoa esse rosto que sempre muda leu minhas palavras endereçadas às musas com dor de um ferro incandescente na pele.

Esconde o rosto na escuridão das estrelas, desatando a fantasia e as entrega em minhas mãos na ânsia de ouvir as palavras que sempre sonhou.

Descarta a obrigação de me entender, assim como o céu tem muitas formas, minhas palavras têm muitas musas, mas minha pele só tem a tua.

Vem, conhece seu poeta de mãos ligeiras, de coração aberto, de poemas míticos.

O tempo é seu, ergue os olhos para a luz da esperança desbrava a vida sem promessas, com a felicidade simples, de amigos sinceros.

Luta pelo que seu corpo sente não se esquive da dor o que importa é hoje, busca o aprendizado para um futuro...

O amor é alegria que se soma ao prazer, refletindo na pele, nos olhos, nos seios.

Quando o amor vem, não pede nada, apenas celebre o momento.

O tempo é seu, os poemas são meus não possuo nada mais.

Aquele momento foi alegria, foi gozar e regozijar a sua presença não foi possuir sua alma.

Essa paixão é desconexa, excitante minha princesa.


Marcello Lopes

terça-feira, 21 de maio de 2024

Oberon

Caminhando entre a bruma branca em movimentos abstratos transpassado pela luz e cores da manhã.

Contemplando a enorme colcha de retalhos formada pelos campos, sonhos alheios e flores, estende suas mãos compartilhando seus segredos.

Á seus pés nomes sem cor costurados ás colinas ásperas em palavras sem calor.

Mãos que desenham flores amarelas rentes ao chão despedaçando a dura realidade.

Em seu peito repleto de sons e seus cabelos perfumados com o aroma das flores.

Não havia paz enquanto não houvesse amor.

Das sombras reinava um silêncio profundo e imemorial.

Foi quando em seus inúmeros momentos encontrou-se com uma doce luz que hoje habita seus pensamentos.

Purificando o sangue, desaparecendo no orvalho da manhã.

Estremecendo ao sentir os lábios frescos derramando-se sobre sua língua.

Faminto, dançou sobre a superfície da água com seus cabelos soltos, despenteados pela alegria.

Límpida presença com seus olhos de seda absorvendo os sonhos, pairando leve sob a noite.

Na pequena lágrima que cai desfolhava as sombras.

Em um clarão, finíssimas pontes alcançavam o homem, objeto, mero elemento inventado.

Finalmente conquistado.

Poema: Marcello Lopes

*Oberon é o rei das sombras e das Fadas, marido de Titânia.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Euterpe


Teus cabelos coroados por miosótis entre tufos de fios de ouro e seus dedos produzindo ondas sonoras que encantam os sonhos.

Colorindo as areias com lágrimas e movimentando desordens felizes no meu pensamento.

Alma divina que ao nascer mudou formas, memória e a história.

Que sopro maravilhoso criado apenas pelo simples gesto de desenrolar o tempo pela música.

Poema: Marcello Lopes 28/03/09

*Euterpe é a musa da poesia lírica.

segunda-feira, 25 de março de 2024

Melancolia

Melancolia - Edvard Munch

Caminhando pela quietude da minha vida, que compreendi os segredos da luz e os mistérios das trevas.

Sussurro nomes e sensações que em minha existência conheci cantando melodias sem compreendê-las.

Recordo das palavras estranhas que este mundo me fez escrever sombras de dias que quero esquecer.

Corre em mim uma canção melancólica, de saudade que simboliza ora uma coisa ora outra.

Caminhando e ressuscitando os rostos que delinearam minha alma que me envolveram com canções e esperanças.

Encontro em mim parte das sementes que esvoaçaram por um momento.

Encho-me de melancolia ao fechar os olhos e nada ouvir.

Porque descobri que a melancolia é muda!

Sinto seu movimento, ouço seus passos mas sem ouvir por um momento a doçura das suas palavras.

Marcello Lopes - Goiânia 08/04/09

domingo, 17 de março de 2024

Adityas


Flamejante universo, inalcançável firmamento, resvalando entre as muralhas do meu pensamento.

Dessa noite que conhece todas as veias, que protege as concepções dá significado ao

teu nome.

Eternidade, elemento inviolável que forma a tua essência.

Deusas da luz lavradas pelo sol protegidas pela lua.

Seres absolutos, formas luminosas simbolizada pela pétala de sutis arabescos.

Poema: Marcello Lopes

Adityas são um grupo de deidades solares.

Desarme-se

 

Se seu coração nunca conheceu os segredos da noite nem compartilhou um dia de sol com alguém, desarme-se.

Se seus ouvidos nunca ansiaram ouvir as palavras que definiriam sua vida com outra pessoa, desarme-se.

A vida é um sonho repleto de possibilidades e de atos apaixonados, permita-se encontrar o sentido da vida, do bem-estar da felicidade que somente se eleva quando se aceita desarmar-se.

Se suas mãos nunca desenharam paisagens sobre um corpo nu, pasmo de admiração ao ampliar o carinho em meio ao redemoinho de tesão e encantamento desarme-se.

Se sua alma nunca se manifestou em desejo ardente, murmurando pro mar promessas e verdades, então desarme-se.

Caminhe por todos os atalhos, conheça a profundidade do  tesouro desconhecido sem limites, sem medidas.

Pois a vida não caminha em linha reta nem cresce sem sacrifícios.

É preciso desarmar-se para aceitá-la.

Marcello Lopes - Goiânia 09/04/09

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Ordena

 


Ordena e farei, pois a vida é breve e por esse instante concede teu corpo ao meu amor.

Ordena e te direi com enorme naturalidade sobre os meus sonhos sem perceber que te dou as chaves da minha felicidade.

Nossos corpos perpetuam o amor, as palavras celebram o encontro.

Passei o dia a te desejar, amando teu corpo adolescente e quando o silêncio é interrompido

murmuro um fogo resplandecente.

Ordena sem pressa alguma, eu espero.

Tenho amor sem ter amores, tenho fogo, incêndio da alma, que queima e consome tudo com calma.

Fecho os olhos e aperto o peito tento calar a sensação que vaga em mim um medo incessante de te perder assim.

Ordena e eu componho os reflexos das cores as percepções das dores a conclusão dos amores.

Contemplo teu corpo nu, inalando o aroma do teu orgasmo traçando com as mãos linhas quase etéreas em teus pés.

Ordena sempre, e me leva até as nuvens na pele repletas de afetos intensos e carícias de leve.

Marcello Lopes - 17/04/09


13

 Eu venho tentando redescobrir esses sentimentos que nos movia que nos cegava a vista sensata e excitava nossa veia apaixonada.

Vamos voltar ao tempo que éramos sensíveis com tanta coisa pra compartilhar.

Não há nada de errado em nos amarmos loucamente só quem não se entrega de corpo e alma é chamado de insano.

Venho tentando te encontrar nas esquinas e nos cafés, nas páginas em branco onde as letras tomam conta e os sentimentos afloram. 

Vamos voltar e sentir o que existe de intenso, selvagem e puro.

Não há nada errado em amar assim, de gritar teu nome no vento entre a eternidade e um doce momento.

As palavras podem transformar nossa vida, a realidade, a desventura de não ter o nome suspirado em meio a tempestade.

Improvisos em retratar como era nosso amor vêm à lua nascer desenhando sombras em teu cabelo.

Os dias felizes, no jardim a alegria com a visita da chuva, a surpresa da canção.

Vamos voltar á vida de rosas, amores e música.

Há um nome que nos estremece, de um lado canta o sol do outro os sonhos.

Se eu soubesse cantar, na natureza viva entre a flor e o ar, entre mil dores faria você voltar?

Vamos voltar ao aconchego, ao frágil corpo fadado á carências, orvalhos e promessas.

Hoje são as nuvens que me acompanham a brevidade  dos momentos felizes, e a fugacidade dos meus sonhos ainda abrigam a tua beleza e perfume.

Vamos voltar, os espaços onde os nossos afetos vislumbravam religiosamente nossas interseções, poemas...

Dou-lhe qualquer coisa, pois tenho a alma coberta de noite, de horas incertas.

Vamos voltar quando a tristeza abrandar, assim que a paisagem recuperar o tempo, a forma e as cores.

Vamos ouvir o sopro da noite inteira, das mãos procurando um rumo, com os olhos pousando sobre o peito trazendo um beijo.

Vamos voltar sem nenhum motivo, prendendo o tempo sobre as asas, com nossos passos perdendo a saudade. 

Marcello Lopes 21/03/09


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Te amo


Os olhos cheios de ausência insinuavam uma série de coreografias apaixonadas.

Estou apaixonado pela deliciosa turvação, o poder das palavras que te impulsiona e me domina.

Meus simples gestos transformam momentos em mares sem margens.

As emoções pulsam entre meus dedos, 

e no seu peito, um doloroso sincronismo entre a realidade

e a metáfora.

Estou apaixonado e aceito com devoção o assédio espontâneo de luminosos parágrafos de inspiração.

Teu amor é avassalador tocando e derretendo... 

O amor impossível se decantou, tornou-se excitante.

Em meio a essa felicidade entreguei-me a teu corpo com avidez, na liberdade lírica da razão.

Estou apaixonado, e teu nome permanece assim para a posteridade.

Tua figura diáfana, magnética, celebra com graça meus poemas, com grande felicidade.

Teu prazer é alquimia que funde diferentes temperamentos, que embriaga minha alma de poeta.

Estou apaixonado pela tua mudez, teu rosto perfeito, meus olhos procuram deslumbrados a visão da tua nudez.

E quando a distância é tanta, só posso evocá-la pela imaginação.

É em tua leve respiração, nas noites longas que nos entregamos, neste coro de luzes que dou vida á nossa canção.

Quando colocas os braços ao redor dos meus ombros, possuo o mundo.

Te amo e vivo clandestino em tons de cinza, celebrando esse sentimento que jorra pela minha mão.

Corpos tolos se amando atados e rendidos ao fervor do desejo.

Poema: Marcello Lopes

08/03/2009

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

12


Um dia guardei todos os sentimentos para te presentear.

Por sobre todos os risos e sorrisos desponta ao longe a sua vida.

Seu corpo é incêndio que queima, 

ardendo sem loucura.

Um dia guardei os momentos que tivemos.

Memória das aventuras, em um tempo onde nada se dissolve.

Nosso amor sem essas contradições impuras

reverbera ao som dos meus poemas, 

das suas palmas conflagradas ao sorverem goles de luz.

Um dia guardei a luz dos seus olhos, 

para meu caminho iluminar, 

porque sua passagem se fez em longas distâncias, 

navegando entre areias e o mar.

Seu calor desloca mundos, pedras, águas, tudo que não é luz, soluça.

Com minhas mãos em fogo 

queimo em estrelas avermelhadas

Carrego nos ombros ausentes de tudo que é sombrio, 

o barco com suas vestes.

Absorto em te encontrar segue sem dor, sem cansaço.

Nunca desejei dizer uma palavra tão louca, como quero em seu ouvido.

Um dia guardei sua música e tudo fez sentido.

Desenrolei de dentro do destino a nossa canção, 

pousando os ouvidos nas nuvens, irrompeu a harmonia da nossa paixão.

Desejo alto, 

alto e infinito.

Poema: Marcello Lopes

4/02/2008

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Te encontrei

Te encontrei em meio ao movimento ordenado das ondas.

Teu sorriso tudo iluminava valorizando a transparência dos meus sentimentos.

Encontrei-te querida rejeitando as sombras intuindo sobre a essência desse amor.

O absurdo de um poeta vem naturalmente assim como as lembranças dos nossos momentos.

Te encontrei em meio às canções e alegrias e sensações que ficaram gravadas em tua pele e que eu imortalizo nessas páginas.

Vivenciando amor guardo na memória a tua forma suave, tuas palavras meigas interlúdios das nossas noites repletas de excitação.

Encontrei-te entre os jardins coloridos contemplando o céu infinito pressentindo o envolvimento inescapável desse doido sentir.

A essência da tua alma nem as aparências, nem imagens revelam.

Teus seios são poemas que cantam em minha mente.

Escuto tua voz como quem escuta as promessas de sereias.

Te encontrei além do amor através de paisagens que tuas mãos desenham, reflexos daquilo que tua alma anseia.

Eu devo tudo à minha musa.

É em teu ventre, perfumado pelas flores que eu trago que curas as minhas feridas.

A distância que hoje insiste em nos separar só me faz procurá-la cada vez mais, sem tréguas, sem medidas quando em sonhos nos encontramos.

Rasgo tua roupa iluminando teu corpo com as rimas das minhas poesias.

Construo um mundo com caneta e papel onde teu canto é melodia suave em meu ouvido e tuas mãos são caminhos de descoberta do paraíso.

Quanto te encontrei deixastes em meu mundo sentimentos de valores inestimáveis um anjo aflito em germinar em meu coração, tamanha paixão.


Marcello Lopes 28/04/09

17

Com o tempo mudo verso, a curva, o arco, o declive, a maneira de enumerar as paisagens.  Imagino as palavras que se repetem na saída dos cin...