Caminhando entre a bruma branca em movimentos abstratos transpassado pela luz e cores da manhã.
Contemplando a enorme colcha de retalhos formada pelos campos, sonhos alheios e flores, estende suas mãos compartilhando seus segredos.
Á seus pés nomes sem cor costurados ás colinas ásperas em palavras sem calor.
Mãos que desenham flores amarelas rentes ao chão despedaçando a dura realidade.
Em seu peito repleto de sons e seus cabelos perfumados com o aroma das flores.
Não havia paz enquanto não houvesse amor.
Das sombras reinava um silêncio profundo e imemorial.
Foi quando em seus inúmeros momentos encontrou-se com uma doce luz que hoje habita seus pensamentos.
Purificando o sangue, desaparecendo no orvalho da manhã.
Estremecendo ao sentir os lábios frescos derramando-se sobre sua língua.
Faminto, dançou sobre a superfície da água com seus cabelos soltos, despenteados pela alegria.
Límpida presença com seus olhos de seda absorvendo os sonhos, pairando leve sob a noite.
Na pequena lágrima que cai desfolhava as sombras.
Em um clarão, finíssimas pontes alcançavam o homem, objeto, mero elemento inventado.
Finalmente conquistado.
Poema: Marcello Lopes
*Oberon é o rei das sombras e das Fadas, marido de Titânia.
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