terça-feira, 21 de maio de 2024

Oberon

Caminhando entre a bruma branca em movimentos abstratos transpassado pela luz e cores da manhã.

Contemplando a enorme colcha de retalhos formada pelos campos, sonhos alheios e flores, estende suas mãos compartilhando seus segredos.

Á seus pés nomes sem cor costurados ás colinas ásperas em palavras sem calor.

Mãos que desenham flores amarelas rentes ao chão despedaçando a dura realidade.

Em seu peito repleto de sons e seus cabelos perfumados com o aroma das flores.

Não havia paz enquanto não houvesse amor.

Das sombras reinava um silêncio profundo e imemorial.

Foi quando em seus inúmeros momentos encontrou-se com uma doce luz que hoje habita seus pensamentos.

Purificando o sangue, desaparecendo no orvalho da manhã.

Estremecendo ao sentir os lábios frescos derramando-se sobre sua língua.

Faminto, dançou sobre a superfície da água com seus cabelos soltos, despenteados pela alegria.

Límpida presença com seus olhos de seda absorvendo os sonhos, pairando leve sob a noite.

Na pequena lágrima que cai desfolhava as sombras.

Em um clarão, finíssimas pontes alcançavam o homem, objeto, mero elemento inventado.

Finalmente conquistado.

Poema: Marcello Lopes

*Oberon é o rei das sombras e das Fadas, marido de Titânia.

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