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 Eu venho tentando redescobrir esses sentimentos que nos movia que nos cegava a vista sensata e excitava nossa veia apaixonada.

Vamos voltar ao tempo que éramos sensíveis com tanta coisa pra compartilhar.

Não há nada de errado em nos amarmos loucamente só quem não se entrega de corpo e alma é chamado de insano.

Venho tentando te encontrar nas esquinas e nos cafés, nas páginas em branco onde as letras tomam conta e os sentimentos afloram. 

Vamos voltar e sentir o que existe de intenso, selvagem e puro.

Não há nada errado em amar assim, de gritar teu nome no vento entre a eternidade e um doce momento.

As palavras podem transformar nossa vida, a realidade, a desventura de não ter o nome suspirado em meio a tempestade.

Improvisos em retratar como era nosso amor vêm à lua nascer desenhando sombras em teu cabelo.

Os dias felizes, no jardim a alegria com a visita da chuva, a surpresa da canção.

Vamos voltar á vida de rosas, amores e música.

Há um nome que nos estremece, de um lado canta o sol do outro os sonhos.

Se eu soubesse cantar, na natureza viva entre a flor e o ar, entre mil dores faria você voltar?

Vamos voltar ao aconchego, ao frágil corpo fadado á carências, orvalhos e promessas.

Hoje são as nuvens que me acompanham a brevidade  dos momentos felizes, e a fugacidade dos meus sonhos ainda abrigam a tua beleza e perfume.

Vamos voltar, os espaços onde os nossos afetos vislumbravam religiosamente nossas interseções, poemas...

Dou-lhe qualquer coisa, pois tenho a alma coberta de noite, de horas incertas.

Vamos voltar quando a tristeza abrandar, assim que a paisagem recuperar o tempo, a forma e as cores.

Vamos ouvir o sopro da noite inteira, das mãos procurando um rumo, com os olhos pousando sobre o peito trazendo um beijo.

Vamos voltar sem nenhum motivo, prendendo o tempo sobre as asas, com nossos passos perdendo a saudade. 

Marcello Lopes 21/03/09


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