segunda-feira, 1 de junho de 2026

Carta para meu poeta - parte 1


Meu poeta, recebi sua carta.

Suas palavras são repletas de cumplicidade, de expressões que, ao serem lidas, fazem-me sentir abraçada. Sinto-me amada, mesmo que você nunca tenha me tocado. E há diferença entre um beijo e um poema?

Leio e releio suas palavras sorrindo a cada revelação, balbuciando desajeitadamente os seus versos.

Estou sentada na varanda ouvindo a chuva, celebrando em silêncio sua presença em minha vida; apesar de estarmos fisicamente separados, não passa um dia sem que eu encontre algo que lembre você.

Uma música, uma cor.
Jazz, Van Gogh.

Escrevo agora o que você significa para mim; mesmo sem dominar a mesma linguagem, minhas palavras carregam o sentido e o sentimento que guardo dentro do peito.

O prazer de te oferecer mais do que meu corpo: a minha alma desnuda. Simples, até mesmo um tanto antiga, que suporta essa paixão platônica desenhando na pele sua utopia.

Seus planos — ah, loucos planos!

Mãos dadas, uma fogueira, tentativa vã de, com as mãos, proteger seus sonhos da realidade. Transcender o limite físico imposto pelas vias distintas da vida: um salto e estamos juntos.
Mas estou divagando, meu poeta. 

Torno-me ambígua a cada dia longe do seu amor; o choque da realidade me faz recuar, enquanto suas palavras me fazem persistir.

Você, como poeta, fala sobre seu amor, orgulhoso de pertencer (a mim?). Sua resposta à minha existência é pausa entre as rimas, orgasmo e exaustão, movimento incessante e pausa.

Os dias passam obscuros e longos, revelando que a rotina preenchida por aquilo que hoje chamo de frivolidades era uma nuvem imprevista e imperceptível, que mantinha meus olhos longe do que realmente importa.

Tudo em você grita paixão!

Marcello Lopes 

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