Suas palavras são repletas de cumplicidade, de expressões que, ao serem lidas, fazem-me sentir abraçada. Sinto-me amada, mesmo que você nunca tenha me tocado. E há diferença entre um beijo e um poema?
Leio e releio suas palavras sorrindo a cada revelação, balbuciando desajeitadamente os seus versos.
Estou sentada na varanda ouvindo a chuva, celebrando em silêncio sua presença em minha vida; apesar de estarmos fisicamente separados, não passa um dia sem que eu encontre algo que lembre você.
Uma música, uma cor.
Jazz, Van Gogh.
Escrevo agora o que você significa para mim; mesmo sem dominar a mesma linguagem, minhas palavras carregam o sentido e o sentimento que guardo dentro do peito.
O prazer de te oferecer mais do que meu corpo: a minha alma desnuda. Simples, até mesmo um tanto antiga, que suporta essa paixão platônica desenhando na pele sua utopia.
Seus planos — ah, loucos planos!
Mãos dadas, uma fogueira, tentativa vã de, com as mãos, proteger seus sonhos da realidade. Transcender o limite físico imposto pelas vias distintas da vida: um salto e estamos juntos.
Mas estou divagando, meu poeta.
Torno-me ambígua a cada dia longe do seu amor; o choque da realidade me faz recuar, enquanto suas palavras me fazem persistir.
Você, como poeta, fala sobre seu amor, orgulhoso de pertencer (a mim?). Sua resposta à minha existência é pausa entre as rimas, orgasmo e exaustão, movimento incessante e pausa.
Os dias passam obscuros e longos, revelando que a rotina preenchida por aquilo que hoje chamo de frivolidades era uma nuvem imprevista e imperceptível, que mantinha meus olhos longe do que realmente importa.
Tudo em você grita paixão!
Marcello Lopes

Nenhum comentário:
Postar um comentário