Cartas
Tenho suas cartas em minhas mãos, carregadas de memórias, ecos e promessas.
Poderia rasgar meus olhos por odiar a ausência do seu toque no meu corpo.
Como uma luz que se apagou, provocando febre, invento línguas para apagar seus poemas.
Os nossos risos, sons e a sua harmonia tudo está sendo esquecido no caminho.
Já fui chama que incendiava miríades de imagens rodopiando em corações e que faziam tremer pernas monótonas.
Nas linhas escritas vejo os sinais do infinito que se acabaram e me pergunto se nosso romance prometia mais do que podia cumprir?
Meus joelhos no chão ecoam ainda as vozes dos que caem com o suor dos aflitos.
Suas juras de amor hoje estão perdidas nas vertigens da alma e abismos dos poemas.
Tenho suas cartas escritas em rimas perdidas entre a razão e a renúncia.
Quais palavras são de amor?
Nossas carícias transformaram-se em crimes, e as promessas em fúrias e tentações.
Essas breves epifanias do amor, meras cumplicidades numa mesa de café,
Quantas perdas e danos sofremos entre o medo e a esperança ?
Somos colhidos pelo tempo em plena queda quando as boas promessas já não se cumprem.
Somos
a multidão dos que ainda acreditam no amor, mas que já caminham
condenados
ao tropel dos crentes, cegos ao movimento da manhã.
Marcello Lopes

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