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Cartas

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Tenho suas cartas em minhas mãos, carregadas de memórias, ecos e promessas. Poderia rasgar meus olhos por odiar a ausência do seu toque no meu corpo. Como uma luz que se apagou, provocando febre, invento línguas para apagar seus poemas. Os nossos risos, sons e a sua harmonia tudo está sendo esquecido no caminho. Já fui chama que incendiava miríades de imagens rodopiando em corações e que faziam tremer pernas monótonas. Nas linhas escritas vejo os sinais do infinito que se acabaram e me pergunto se nosso romance prometia mais do que podia cumprir? Meus joelhos no chão ecoam ainda as vozes dos que caem com o suor dos aflitos. Suas juras de amor hoje estão perdidas nas vertigens da alma e abismos dos poemas. Tenho suas cartas escritas em rimas perdidas entre a razão e a renúncia. Quais palavras são de amor? Nossas carícias transformaram-se em crimes, e as promessas em fúrias e tentações.  Essas breves epifanias do amor, meras cumplicidades numa mesa de café, Quantas p...

Entre letras

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Eu te vejo entre almofadas lendo o tempo todo, enquanto chove e  as cinzas de um dia se assentam pela cidade. Eu te vejo serena e lânguida mastigando as linhas de um romance, desbotando as cores das páginas com suas linhas mestras, estabelecendo sentidos e sentimentos nas raízes literárias. O meu desejo é encontrá-la após um longo dia com a necessidade de revelar suas leituras, suas impressões fazendo assim que os personagens fictícios continuem cada vez mais vivos. Eu te vejo aprofundando seus conhecimentos, resolvendo seus impasses, sorrindo entre as páginas no retiro da alma e no sossego do corpo. Eu te vejo solta, leve, lendo poesias, recitando pela casa Borges, exalando em tua pele o gosto e o som dos poetas. Teus pés que me levam à loucura hoje me mostram o caminho dos textos que compõem a tua formação, e entre as estantes reencontrei tua paixão. Eu convivo com poetas, escritores e mestres, hoje guardo na memória e nos ra...

Poema para ler sozinho

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                                O que fazer com tanto silêncio que ficou na sua ausência? Essa falta, esse incômodo descompasso. O tempo e o sentimento acomodaram-se no canto da casa, A verdade não nos oferece flores, Nem saudades, nem mesmo aroma. Marcello Lopes - 2021
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Teu corpo é mapa pedindo pra ser decifrado. Tua pele, marcas, desenhos, cores transformam-se tridimensionalmente ao simples toque dos lábios, minhas mãos percorrem os teus relevos, a sinuosidade do teus detalhes. Prometo-te uma tarde de verão, coro dos anjos, jorro da água de um rio turquesa cuja luz resplandecerá no teu corpo. Poema: Marcello Lopes

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A realidade confundia-se com o sonho, de cem em cem passos recito uma breve composição que hoje identifico indissoluvelmente ao seu nome. Em cada desenho meu, os seus pés assinavam um verso, pensava comigo feliz dos lábios que neles habitaram. Há muito esperava esse momento, a sorver seus pés com uma adolescência feroz, lábios queimados pela invenção de tantas paisagens que já não cabem nesse corpo. O som do silêncio arrasa o meu ser, desabitando o meu desejo, salpicando de sangue o vento. Por isso abra a passagem entre as nuvens e a luz, grita meu destino como um só corpo e paixão! Prometo-te uma tarde de verão, coro dos anjos, jorro da água de um rio turquesa cuja luz resplandecerá o seu corpo. Marcello Lopes

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O tempo é seu, estenda suas mãos de mel e sedução, e cultivam seus sentimentos os amores, a vida. Com um sorriso no rosto, sabes que cada escolha sua reflete em minha vida. O tempo é seu, não saia me procurando por aí sou livre e me escondo nos recessos do seu coração. Na intensidade da luz e na aconchegante escuridão, te imploro que não me procure fora da sua paixão. Sonhe devagar, muitas tiveram a chance de me amar com falso amor ou sincero, mas nem todas entenderam minha alma poética. O tempo é seu, você amou com mágoa esse rosto que sempre muda leu minhas palavras endereçadas às musas com dor de um ferro incandescente na pele. Esconde o rosto na escuridão das estrelas, desatando a fantasia e as entrega em minhas mãos na ânsia de ouvir as palavras que sempre sonhou. Descarta a obrigação de me entender, assim como o céu tem muitas formas, minhas palavras têm muitas musas, mas minha pele só tem a tua. Vem, conhece seu poeta de mãos ligeiras, de coração abe...

Oberon

Caminhando entre a bruma branca em movimentos abstratos transpassado pela luz e cores da manhã. Contemplando a enorme colcha de retalhos formada pelos campos, sonhos alheios e flores, estende suas mãos compartilhando seus segredos. Á seus pés nomes sem cor costurados ás colinas ásperas em palavras sem calor. Mãos que desenham flores amarelas rentes ao chão despedaçando a dura realidade. Em seu peito repleto de sons e seus cabelos perfumados com o aroma das flores. Não havia paz enquanto não houvesse amor. Das sombras reinava um silêncio profundo e imemorial. Foi quando em seus inúmeros momentos encontrou-se com uma doce luz que hoje habita seus pensamentos. Purificando o sangue, desaparecendo no orvalho da manhã. Estremecendo ao sentir os lábios frescos derramando-se sobre sua língua. Faminto, dançou sobre a superfície da água com seus cabelos soltos, despenteados pela alegria. Límpida presença com seus olhos de seda absorvendo os sonhos, pairando leve sob a noite. Na pequena lágrima ...