Cartas
Tenho suas cartas em minhas mãos, carregadas de memórias, ecos e promessas. Poderia rasgar meus olhos por odiar a ausência do seu toque no meu corpo. Como uma luz que se apagou, provocando febre, invento línguas para apagar seus poemas. Os nossos risos, sons e a sua harmonia tudo está sendo esquecido no caminho. Já fui chama que incendiava miríades de imagens rodopiando em corações e que faziam tremer pernas monótonas. Nas linhas escritas vejo os sinais do infinito que se acabaram e me pergunto se nosso romance prometia mais do que podia cumprir? Meus joelhos no chão ecoam ainda as vozes dos que caem com o suor dos aflitos. Suas juras de amor hoje estão perdidas nas vertigens da alma e abismos dos poemas. Tenho suas cartas escritas em rimas perdidas entre a razão e a renúncia. Quais palavras são de amor? Nossas carícias transformaram-se em crimes, e as promessas em fúrias e tentações. Essas breves epifanias do amor, meras cumplicidades numa mesa de café, Quantas p...